Name: Ricardo Mesquita From: Pombal, Leiria, Portugal About me: Sujeito de grande mau feitio, que fuma exageradamente, gosta de beber uns copos e tem demasiada confiança nas suas capacidades... Na Verdade representa tudo o que um ser humano não deve ser...
Segunda-feira, Julho 09, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 3:36 PM
O Ponto de Interrogação é hoje mais pequeno. Contudo, acrescentaram-se algumas vírgulas, uns quantos parênteses, certas reticências, dois ou três pontos finais e um ponto de exclamação. E claro, o ponto de interrogação, que apesar de mais pequeno, ainda por cá anda…
Terça-feira, Junho 19, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 12:36 AM
É verdade que já há muito perdi o norte, pelo menos vai para seis meses, mas é inegável que nos últimos tempos, em especial nos últimos dias, se gerou o desnorte completo…
As mais diversas incertezas, algumas desilusões, certas atitudes e sobretudo determinados acontecimentos marcantes ajudaram a que se erguesse um enorme ponto de interrogação diante de mim.
O Passado, como sempre, levanta algumas questões, o Presente acrescenta incessantemente dúvidas e o Futuro é hoje uma incerteza ainda maior. Até o mais ténue dos rumos se desvaneceu. Restou apenas a incerteza… O Desnorte.
É por isso fulcral que pare rapidamente. Tornou-se indispensável que, o mais depressa possível, consiga largar tudo por uns momentos, para que me possa redefinir, de preferência, por inteiro. É necessário parar para reflectir, e posteriormente estabelecer claramente objectivos, definir prioridades, esclarecer vontades, traçar o rumo… E Combater o Desnorte!
Quarta-feira, Junho 13, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 2:51 AM
Quando julgamos ter um jogo minimamente bom, a reacção normal é apostar forte. Já a reacção de quem quer ganhar o máximo possível é subir pouco a parada, esperando que os demais caiam no bluff. Foi o que fiz, limitei-me a ir a jogo, fazendo apostas pequenas. Sabia que o jogo da mesa, apesar de estar minimamente a meu favor, poderia ser batido mas, por razões que desconheço, confiava que podia ganhar qualquer coisa. Tal não sucedeu… Alguém tinha um jogo melhor que o meu, e usando um bluff superior, venceu a jogada. Foi alguém que jogou bem, e por isso merece os meus parabéns. Quanto a mim resta-me o saber… E desta feita, o Saber Perder...
Sábado, Maio 19, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 10:15 PM
À muito que aqui não escrevo, mas posso garantir que muito tenho para escrever…
Sobre histórias antigas… Sobre novas andanças… Sobre ausências prolongadas… Sobre regressos adiados…Sobre o fantasma de sempre… Sobre novos fantasmas… Sobre o que deixei passar… Sobre o que soube agarrar… Sobre o que fui… Sobre o que sou… Sobre o que pretendo ser…
Há muito que aqui não escrevo, mas posso garantir que o farei muito brevemente …
Quinta-feira, Março 01, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 8:13 PM
Se o mês passado foi mau, este foi pior. Se a semana passada foi má, esta foi pior. Se o dia de ontem foi mau, o de hoje foi bem pior. A vida cada vez mais parece um poço sem fundo: é sempre a descer… E nem uma parca luz se adivinha. Ainda assim sobrevivo, na vã esperança de melhoras
Saí de onde sempre estive, deixei para trás a minha cidade, abandonei os que respeito dizendo apenas um mísero “até já”. Não sou mais que um estranho em terra estranha. Ainda assim sobrevivo, na vã esperança do regresso.
Vejo os sonhos desfeitos, as vontades contrariadas e o futuro nublado. Sou apenas mais um corpo à deriva num mar de incertezas. Ainda assim sobrevivo, na vã esperança de encontrar o caminho.
Sou apenas uma sombra do que um dia fui, agarrado a fantasmas do passado que teimam em me assombrar. Ainda assim sobrevivo, na vã esperança de ser quem orgulhosamente fui.
Sobrevivo a tudo isto... Mas quando nos roubam as forças nada mais há a fazer senão assistir ao nosso próprio fracasso. Já roubaram as minhas, resta-me comprar bilhete para assistir ao espectáculo.
Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 11:42 PM
Exílio:É o estado de estar longe da própria casa e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. Também pode-se utilizar as palavras, banimento, desterro ou degredo.
Estou exilado à 50 dias. E parece que o exílio vai continuar por tempo indeterminado…
Tenho Saudades de Pombal… Saudades das longas noites... Tenho Saudades do Scó… Saudades da imperial, do bilhar, do tribal… Tenho Saudades da Várzea… Saudades das conversas, das caças, dos arbustos. Tenho Saudades da Shell… Saudades dos Cachorros, do sabor a 95 octanas, da dificuldade de comunicação… Tenho Saudades do Póquer… Saudades dos feijões, das cartas, do bluff. Tenho Saudades Vossas… Saudades das conversas com o João Pessa, dos códigos com o Pedro Carvalho, das legendas com o Escapa, das bocas ao Zuca, das discussões de cinema com o Carlos, das piadas secas do Mota, da sorte do Folhas, da objectividade do Igor, do atrofio com a Rita… Tenho Saudades Minhas… Saudades do meu lado nocturno, da minha ousadia, e sobretudo, do boémio que há em mim… Tenho Saudades de Pombal…
Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 8:58 PM
É inegável que o “fantasmas” começa agora uma nova fase. A “libertação” do Pedro transforma o “fantasmas” num “One Man Show”, o que trará menos actualização, menos interesse e principalmente menos qualidade. Ainda assim o “fantasmas” irá sobreviver sob o meu comando, restando apenas saber por quanto tempo. Por fim convido-vos a manterem-se clientes deste blog, ainda que não vos prometa rigorosamente nada, pois assim será difícil defraudar expectativas. E assim começa uma nova fase de fantasmas…
Terça-feira, Janeiro 30, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 9:51 PM
Escrevo com um misto de tristeza e orgulho… Tristeza pois perco o companheiro de blog, um dos poucos que consegue realmente ler o que escrevo. Orgulho por ver que cumpriste a missão a que te propuseste a quando do começo do “fantasmas” e por saber que seguirás o teu caminho sem nunca esqueceres o nosso vocabulário. Espero que não mais escrevas para este blog e não necessito de te explicar porquê. Espero também que continues por aí, a ler e a comentar o que ainda tenho para escrever. No entanto não te esqueças que este blog também foi, é e sempre será teu. Um dia farei o que hoje fazes mas por agora resta-me continuar. Despeço-me com “Aquele Abraço” que bem conheces…
ligeiramente triste mas acima de tudo Orgulhoso, Ricardo Mesquita
PS: Devo dizer que não foi fácil redigir este texto e o meu cinzeiro facilmente o comprovaria. Muito ficou por escrever, mas também sei que não preciso de o fazer. Parabéns Pedro!
Hoje chegou o dia de vos dizer o porquê de achar que tudo o que aqui vos conto já passou, e me deixou. À um ano atrás, começava um projecto arrojado, corajoso, levado necessariamente de forma ardilosa. Na verdade, teríamos tudo para nos cobrirmos de vergonha se todo ele ruísse como ruíram todas as batalhas que nos levaram a fundar tal projecto. Como em outros textos afirmo e para sempre o não modifico: “Não me arrependo de nada que aqui escrevi”. Nunca em circunstancia alguma, iria trair as traves mestras, do que acredito ser o posicionamento correcto de um homem na, e para a vida. Ninguém me desvalorizou por qualquer palavra proferida neste espaço. Chego até a pensar que tive momentos em que fui temido. Prefiro não acreditar nisso. Aos amigos, e leitores, deve-se as opiniões partilhadas ou contraditórias à minha, que sempre mostraram, mudando quem sou e tornando-me bem mais vencedor a cada discussão que perdi. Das que ganhei, não me vou lembrar hoje. Prometo-te Companheiro, não sou mais o mesmo que era, quando nos fizemos à estrada. Cabe a ti e a todos os nossos, entender que valeu a pena. Valerá. Sempre! De todas as lutas, nenhuma foi abraçada sem paixão. Hoje a “Lista S” é uma memória a reter, o fantasma inaugural Presidente da República, o desamor a maior vitória, as festas, um constante dizer: “presente”. Sinto-me um vencedor, com tamanhas voltas que o Destino me deu, e as tremendas reviravoltas que este espaço lhe concedeu. Despeço-me com o “Poema dos Mais Além”. Hoje sei que teria assim de terminar. Talvez o soubesse desde sempre. Mas se hoje me despeço, também vos prometo ser certo que: “Porque ficamos. As nuvens não.”. Não voltarei a ser colaborador neste espaço. Abdico assim da posição ocupada, mas nunca da vontade de voltar a ler-te, aqui, sempre que possa.Continua a obra até perceberes que esses se largaram da tua alma. Sempre foi essa a missão. Não me esqueci. Não me esquecerei. Estarei aqui sempre que for preciso, pondo o dedo na ferida, como sabes, como sabem, como sempre.Não escreverei mais sobre os “Mais Além”, mas manter todo o património interpessoal e ético que eles nos deixam será a missão de todos os que deles fazem parte, e lhe dão o coração. Nem uma palavra aos “outros”. Que esta saída nada finde, lançando novos desafios e eternizando as vitórias.Este foi o primeiro passo. O mais importante. Eu irei continuar noutras bandas.
Mando-te esse teu “Aquele abraço” e mantêm-te sempre orgulhosamente o que és.
Quarta-feira, Janeiro 03, 2007, posted by Ricardo Mesquita at 6:16 PM
Se Vesper Lynd foi importantíssima para o surgimento de James Bond, bem posso dizer que Tu foste importantíssima para o surgimento do "Sujeito de grande mau feitio, que fuma exageradamente, gosta de beber uns copos e tem demasiada confiança nas suas capacidades".
Quero também agradecer a quem me apoiou, a quem confiou, a quem lutou ao meu lado, a quem acreditou, a quem me acompanhou, a quem respeitou, a quem criticou oportunamente, a quem me aconselhou, a quem bebeu e/ou fumou comigo nas minhas longas noites… Muito Obrigado a Todos, pois também me ajudaram a ser quem sou.
Quero agradecer a quem me fodeu, a quem me tramou, a quem me traiu, a quem me falhou, a quem me virou as costas, a quem insinuou, a quem inventou, a quem fingiu, a quem conspirou, a quem aldrabou, a quem enganou, a quem falhou, a quem criticou sem sentido, a quem iludiu e a quem desiludiu… A todos obrigado, porque me ajudaram a ser o "Sujeito de grande mau feitio, que fuma exageradamente, gosta de beber uns copos e tem demasiada confiança nas suas capacidades" que eu tanto gosto de ser.
Nada melhor que começar o ano a recordar os que já passaram. Foi o que fiz. E enquanto recordava, lembrei-me de fazer uns quantos agradecimentos. Eles seguem dentro de momentos…
Terça-feira, Dezembro 19, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:43 PM
Feitos castelos densos, Como que escurecendo o adeus solar, Assim se prolongam até ser noite, Nevoeiro e sombras entre a alma, Salgada mas calma, Estendida sem terminar.
Somos a corrente que suaviza o horizonte. Levando para longe o indistinto traiçoeiro, Vento gélido caminhante perpétuo, Por cada sol que se vai inteiro.
De longe contemplamos quem somos, Terra, céu e mar, Pequenos fantasmas turvam um horizonte, Mas nós sabemos porquê atravessar.
Navegamos a nossa alma salgada, Conhecendo as correntes passadas que fomos. Tocando o céu que nos cabe, Só com a areia dócil que somos.
De areia feito o corpo, Remexido pela alma em ondulação, Beijar o céu é coisa certa, Porque ficamos. As nuvens não.
Sábado, Dezembro 16, 2006, posted by Pedro Carvalho at 2:06 PM
Sinto-me tão longe, distante… Tão longe como quem se abeira de ti, Tão longe como um pensamento feito desejo, Como um desejo feito vontade, Como vontade feito ilusão. Como uma ilusão, de tão longe, perto...
Afasto-me e fico mais perto. Coração enleado, enredado, enfeitiçado, Doce ilusão recordar-me de ti. Saudade não te ter aqui, Querer-te. Aqui.
Minha alma quer o que lhe foge, Quer o longínquo, quer o que não toca, Quer o que sente e o que a faz sentir. Meus olhos querem. Como sempre. Querem-te sempre. Querem-te aqui.
Todo eu em uníssono, Vontade imensa que se não razão, Paixão então certamente, Coisa rara, sedutora, emergente, Que ficamos os dois na minha mente, Encobertos mas presentes, quentes.
Sexta-feira, Dezembro 15, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 3:04 PM
Certo dia, como em tantos outros, as coisas não me corriam bem. Pelo meio de tanto de problema lá soltei a típica frase: “Só me calham duques e cenas tristes”. O dia continuou, até porque por muito mal que as coisas corram os ponteiros do relógio não param. No final da tarde compreendi que, apesar de todas as vicissitudes, tudo se tinha resolvido.
À noite havia póquer para descomprimir. E no jogo, como na vida, também só me calharam duques e uma sena triste. E então? Então ganhei. É que um póquer será sempre um póquer, nem que sejam só duques e uma sena triste.
Hoje estou num daqueles dias que me apetecia recomeçar tudo de novo. Certamente todos já pensaram nisso. Como tudo seria diferente se pudéssemos começar do zero, sabendo o que actualmente sabemos, até pelo simples facto de já conhecermos os números do euromilhões. Mas como é óbvio, não era propriamente a isso que me referia. Referia-me sim, aqueles gestos ou actos bastante simples mas que posteriormente se revelam extremamente importantes. Por exemplo, bastaria uma cruz num quadrado ao lado, um olhar distinto ou uma palavra no momento certo para tudo ser diferente. Seria melhor? Pior? Jamais saberei, mas seria certamente diferente. Não é que me arrependa do caminho que segui, pois ainda que tortuoso foi graças a ele que me tornei no sujeito de mau feitio que tanto gosto de ser. Simplesmente hoje apetece-me pensar como seriam as coisas se tivesse dito a tal palavra no tal momento, se tivesse feito o tal olhar, se tivesse dito a tal palavra no tal momento ou se tivesse colocado a cruz no tal quadrado.
Quarta-feira, Dezembro 13, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 6:51 PM
O meu último post neste blog remonta ao já distante dia 23 de Setembro. Volto a postar 81 dias depois, sem poder prometer a regularidade que desejava. Mas relativamente à minha ausência muito se passou ainda que não possa dizer que as coisas estejam diferentes. É certo que durante a ausência embarquei na estranha aventura do ensino superior na Universidade Internacional da Figueira da Foz, dando início a um novo ciclo e encerrando (parcialmente) um ciclo demasiado longo. É também durante a ausência que, sem dar conhecimento prévio a ninguém (porque apesar de eu não acreditar em bruxas elas andam aí), fui novamente a exame de condução, saindo desta vez de Leiria com o precioso papel na carteira. E foi também durante a ausência que passei acordado (e molhado) a trágica noite de 25 de Novembro. De qualquer forma, durante a ausência continuei a alimentar os meus sonhos. Durante a ausência continuei a estar no scó fim-de-semana após de fim-de-semana. Durante a ausência continuei a viver intensamente cada episódio de LOST. Durante a ausência continuei nas reuniões, deslocações e actividades da JS. Durante a ausência continuei a fumar impulsivamente. Durante a ausência continuei a beber… bem na verdade nem por isso, mas tenho pena. Mas na generalidade, durante a ausência continuei a fazer o que sempre fiz: a pensar, a questionar, a criticar, a gozar, a alcançar, a escrever… a viver!
E hoje, 81 dias depois, estou de volta, sabendo que nunca estive ausente…
Terça-feira, Dezembro 12, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:39 PM
Tu entregas-me um caminho, Ou eu te entreguei o meu, Como duas aves migrando, Voando no alto desse monte distante. Como sempre acreditando no horizonte, Desembrulhando o mundo com ternura.
Nos tesouros tem o mundo uma prenda guardada, Esse teu coração que se esconde entre as nuvens. Nas imprecisões dos meus sonhos onde te vejo, Subo qualquer céu azul para te alcançar.
Em cada noite que passa, Entre os suspiros da Deusa da Lua, Me apareces e me escapas levemente, Acendendo cada estrela que corre no céu, Em desenhos, mais que brilhos a sorrir.
Lanço a caneta ao céu morno de cetim, E vejo-a dançar na liberdade que emana. Nessa liberdade que me deixa feliz, Uma alquimia iluminada ao luar.
Sexta-feira, Dezembro 08, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:47 PM
Olhava a janela como tantas vezes faço. Perdão, olhava para o lado de lá da janela. Eu sei, eu sei… Tanta e tanta gente diz ver o mundo e saber ciências ou até conhecer homens e ideias só por olhar para a janela. Não sabem nada de facto, e o choque será maior quando um dia abrirem a janela e olharem realmente para o mundo, não aquela imagem que se vê na janela mas toda a urbanização humana do lado de lá do vidro. Não, desenganem-se todos os que se já começam a sentir ofendidos. Na verdade isto acontece com muita gente. Eu próprio já me pensei olhando o mundo quando na verdade nada mais que uma janela eu estava a ver. Descobri às apalpadelas que existia saída daquele cubículo e que eu devia querer de lá sair porque lá dentro não sentia as gentes e o futuro. Sentia-me bem no engano de olhar pela janela. Os Fantasmas do Passado, penso que todos eles, nascem duma situação de cubículo delicioso transformado em armadilha silenciosa aquando da nossa percepção que assim não conhecemos o nosso redor. De todos os cubículos por onde estive preso alguns foram mais ilusórios que outros, mais duradouros, mais empolgantes e por isso mais “labirínticos” de sair. Caímos em prisões que se querem perpetuas, o melhor da vida são as fugas. Hoje sou absolutamente livre de aprisionamentos? Não sei. O aprisionamento caracteriza-se por funcionar enquanto nós não dermos por sua contingência. No entanto hoje abri uma janela para ver de mais perto um arco-íris. Se me esticasse a tocar-lhe saberia que ele me iria fugir. Nunca hei de escorregar num arco-íris, maldita ilusão óptica ou lei da gravidade! No momento em que abri a janela deixei de ver o arco-íris. Algo no vidro provocava uma sensação errada de felicidade. Seria óbvio voltar a fechar-me no cubículo enfeitiçado mas eu não o fiz. O mundo verdadeiro tem vento, molha, faz barulho, tem gente má, e boa também, e acidentes, e notícias, e decisões, e erros, e enganos, e todos os dias acabam muitas coisas e começam algumas. O mundo verdadeiro é medonho se quiserem, mas eu fiquei o olhar o céu desconfortável, olhando fixamente para o lugar do céu onde o arco-íris era ornamento ainda à tão poucos minutos atrás. Gosto da Verdade. Ela não é melhor ou pior porque para além da Verdade pouco mais existe com que se possa comparar a mesma Verdade. Então, entre a Verdade enegrecida pelas altas expectativas depositadas graças a uma ilusão traiçoeira, e viver para sempre nessa ilusão eu acredito que o melhor da vida são as fugas.
Entre uma guerrá já longa, andava um soldado desordenado. A grande relíquia procurada estava num quartel perfeitamente seguro e inacessível. A paz fácil era um ataque, que seria bem conseguido, pela retaguarda. Não sei o que ele decidiu e à conta de indecisões à guerras que não acabam.
Sexta-feira, Dezembro 01, 2006, posted by Pedro Carvalho at 5:46 PM
Escrevo o nexo e o lógico, Neste confuso psicológico, O grito latente, Num silêncio dormente, Rasgo a angústia presente, Sempre entre o frio e o quente, De erros e conquistas, A cada fado seus fadistas, No meu escrevo eu, E não me atirem ao breu, Que eu fico e assim respondo, O meu mundo não tem dono, Viajante na irresponsável liberdade, E que nem me prenda qualquer saudade. E se um dia passei pelo vago, Essas memórias hoje trago, Bebo do cantil viajante, As forças de seguir doravante.
Escrevo quase sem sentido. Gosto. Mas preocupa-me ao de leve. Toda a minha semana foi aterefada, mergulhada em compromissos vários, mas a ocupação nunca antes me tinha retirado a serpente da escrita que tantas vezes sentia em mim. Esta semana não escrevi. Nem para mim, nem para vós, nem para outrem. Poderei estar mesmo a cair numa inércia perigosa e prejudicial, mas caio de forma consciente, de forma preguiçosa, entre a tranquilidade feliz e a pausa que pode ser funesta. Escrevo uma espécie de explicação a mim mesmo do que é estar sem escrever uma semana. Não sei o porquê, e sei-o bem. É como algo que me diz que não à tema, que está interrompida qualquer ligação entre o presente e todo o futuro ou passado. Gosto de mim. Gosto mais de estar assim até. Só não gostava de perder esta serpenete enrolada à alma que é a necessidade de escrever. Então, não prometo o mesmo, não prometo as mesmas falas, as mesmas histórias, as mesmas visões, compreensões, destinos, ou futuros. Prometo não deixar de escrever. Nem que isso custe um "escrever diferente". Gosto. Como que um comando das forças beligerantes em fim de combate, comando vitorioso mas num mar de destruição. Ganhei. Mas tudo está diferente e a calmaria mórbida de uma guerra existe quase que por desfecho natural. Então, lamento a calmaria, mas ela não deixa de ser o melhor dos resultados (ou o menos mal de todos eles). Preocupa-me ao de leve. Preocupa-me estar neste silêncio de sentimentos, passando alheio pelas batalhas às quais me tanto entreguei (as batalhas justas, pois claro). Eu nunca vou esquecer tais guerras. Não quero medalhas. Arrecadado está tudo, agora o silêncio óbvio, o tal silêncio menos mal que tinha de existir. É o fim. Mas é o fim do que é mau, a guerra. Alívio supremo este fim! Tudo fez sentido, então faz sentido agora pois claro. Na calmaria deste fim, esconde-se um homem, agora tranquilo, esperando novas convocatórias, feliz e por isso tão quieto, mas com a promessa de não esquecer a arte do melhor estremecer. Fiquem bem
Quinta-feira, Novembro 23, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:41 PM
Planto uma árvore pequena e frágil, Filha de minhas histórias e sinais. A ela lhe dou minha atenção, saber e cuidado. A ela lhe conto as terras de sua raiz, A ela lhe conto o seu tronco e seus cortes, A ela lhe conto suas folhas, persistentes claro, A ela lhe conto sua flor e o vento que a levou.
Conto-lhe seu fruto, orgulhoso resultado, Lembrança de quem um dia floriu. Toco seu fruto, sumo e casca do mais doce viver. Beijo seu fruto, fruto de quem planta árvores.
Cada árvore, feito símbolo meu. Frondoso resultado de mágoas antigas. Histórias que planto no caminho que percorri. E vale a pena sua sombra e frescura, E vale a pena trepar-te e ver-me de cima.
Eu sou minhas árvores. Minha memória, minhas canções, minhas árvores. Vigorosas nascendo pequenas, Mas grandes que ficam de tantos Invernos passar. De paternal velhice irão morrer aquando eu. Secando na sobriedade de morrer de pé.
Domingo, Novembro 19, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:32 PM
”Vês este vazio por cima das nossas cabeças? É Deus. Vês aquela frincha na porta? É Deus. Vês aquele buraco na terra? É ainda Deus. O silêncio é Deus. A ausência é Deus. Deus é a solidão dos homens.”
Jean-Paul Sartre
Para mim, a mais perfeita definição conhecida. Obrigado, diz a Humanidade.
Quarta-feira, Novembro 15, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:04 PM
Lisboa, 15 de Novembro de 2006 Belo dia, solarengo, algo frio, mas suportável. Tempo de sapatilhas, calças num tecido quente, camisa leve mas apoiada num casaco grosso. Saio de casa bem cedo e cedo chego à faculdade. “Olá”, “Bom dia”, “Tudo bem?”, “Como está?”. Após isso concluí que estava “Bem obrigado”. Sucedeu-se a verdadeira bateria de aulas previstas e o almoço. O tempo estava alterado. As pequenas gotas de chuva guardadas para o meio da manhã encorparam numa chuva forte após a hora de almoço. Tinha coisas a fazer no edifício de ciências económicas e por ali me mantive sem frustração molhada. A chuva não cessou, não conhecia abrandamento momentâneo, complicando esgotos, paragens de autocarro, beirais, acessos pedonais, passadeiras, estradas, passeios e ladeiras. Até ao caos e sem fim. A revolta entoava nos céus e era visível na invisibilidade provocada pelo névoa baixa. Hora de ir embora. Fui. Entre a faculdade e todo o recinto da Universidade Católica os poucos metros pareciam alargados pelo desconforto pluvial, mas eu segui rumo até ao primeiro ponto de desistência, uma paragem de autocarros. Por lá estavam todos os desistentes da também curta caminhada que haviam acabado de fazer. Eu não me abriguei, e segui olhando o chão naquela que após o segundo minuto era já a maior constipação em potência da minha vida! Todo o viaduto que liga a faculdade ao palma é inóspito em qualquer dia do ano, hoje era mais. Chutava água em passadas seguras e firmes, faltava apenas levantar a cabeça. Algo me fazia seguir sem pensar em paragens nem em chegadas, algo fazia-me apenas caminhar sobre toda a chuva do mundo, algo que apenas a mim me fizera caminhar entre três milhões de seres iguais, algo que tenho dentro de mim sempre. Por carregar numa pequena vela a mais forte das chamas, caminhava eu sobre os mal dizeres do paraíso, num baptismo revigorante. A chuva cai como glória dos distintos. Ao sol que é para todos, rasgava o céu uma chuva que por estandardização social, apenas me molhava a mim. Aos distintos o beijo da chuva. Porque a chuva não apaga a chama de um “Mais Além”. Porque a chuva tudo banha e porque poucos se deitam nela, caminhava eu. Chegado ao Palma começava a perceber todo aquele andar. Era preciso levantar mesmo a cabeça. Quando chove muito, não chove demais. Levanto a cabeça e na aparente inocência translúcida da água, esconde-se a força de nos cegar. Quando chove muito, não chove de mais. Sigo de rosto vincado no resto do caminho. Olho nos olhos quem não me vence, entro dentro da alma daquela chuva representada no nevoeiro cerrado do metro seguinte, sou o seu pesadelo, o único que não se abriga e escolhe o desafio. Três milhões de pessoas, a chuva, e alguém carregando uma vela. Todos sem ordenação possível perante o dilúvio. No fim da encosta descida, esconde-se uma esquina a virar sem qualquer reserva. O vento que não me tocara na descida do Palma, serve-se de cada frincha aberta na minha alma para me gelar. Existirá eterno desconforto em cada frincha latente, mas são esquinas que se dobram ao virar de página. Páginas pesadas de dias que nos parecem iguais. Entre aviões, entoa um trovão de som grave. Já não tenho medo de trovões. Hábito que faz milagres não será hábito de monge. Sem religião a chuva faz milagres. No metropolitano ou no autocarro não chove nem faz sol. Existem então pessoas em porções de cem nesses locais. Até casa o caminho é agora mais curto e desinteressante, porque num quarto de hora o baptismo da chuva me beijou, mostrou-me que nunca chove de mais, mostrou-me que a maior transparência tem a maldade de nos ofuscar, ensinou-me que o nevoeiro tem medo de quem o enfrenta, contou-me o que é um trovão, golpeou-me as frinchas abertas, mostrou-me o que é ser “Mais Além”. Cheguei a casa e a minha mãe falou-me de temporal. Não tinha sentido nada e a chama que trago sempre comigo estava mais acesa e incandescente que nunca. Acho que não choveu porque para um “Mais Além”, quando chove muito, não chove demais.
Sexta-feira, Novembro 10, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:30 PM
Não sei que dia é hoje. Não sei que horas são. Não sei que astro se ergue no céu. Não sei se hei-de acordar, Talvez dormir, talvez jantar…
Não. Eu não vou perguntar a ninguém. Desabafo ao meu ouvido perguntas soltas, Aquelas que me fazem durar.
Um dia gostava de viver de verdade! Correr pelos carreiros da maior evasão, Numa loucura feliz e sem história. Não. Não me vou lembrar de nada, E prometo não contar esta aventura… Mas eu gostava, ahhh… Como gostava! Ser loucamente livre. Ser unicamente livre.
Nada existe de mais livre que o alheamento. Total, incondicional, exagerado. Não sei que dia é hoje. Não sei que horas são. Mas sou tão estúpido e dominável como qualquer outro, Qualquer outro que tenha de olhar o calendário.
A liberdade, a única sem limites, Terrível perigo de civilizações aborrecidas e ordenadas, Não existe em plena Razão. Talvez em êxtase!
Dêem-me a feliz loucura de nada temer, Nada conhecer, nada procurar, nada memorizar, Nada ofender, nada correr, nada segredar. Até nada Ser, se Ser for condicionante! Dêem-me esse total desentendimento, E nesse dia entendo toda a irremediável sina, A estupidez das crenças, modelos e fanatismos…
O que é uma sociedade? Eu sozinho tenho de memórias e marcas tais, Que meto sociedades no bolso dos fundos, Entre a roçada ganga dos preconceitos, E os forros imperfeitos da justiça.
Mil e uma vez queria lagosta, comi pão! Injustiça diabólica e “fome social”. Sou ou não sou uma bela sociedade? Um par de raras vezes me calei, Fui de políticas, cosméticos! Até caí em logros! Sou ou não sou uma bela sociedade?
A justiça vai a oftalmologistas caros, Os caros cidadãos esperam de pé e a pagar! Contaram-me ontem que existia “dinheiro”, Fui visitá-lo ao casino, acho que não é coisa de valor… Nos media anorécticos e paranóicos dão disso! Nas finanças parece que tiram, mas é social!
Vi também uns quantos tontos a serem felizes, Devem ser tontos, todo o social olhava de lado para eles… Acho que esses não são sociedades, Não têm dinheiro, preocupações, modas e deuses plastificados. Deve ser coisa feia não ser social…
Amanhã talvez saiba que dia será. Dia de contribuição autárquica, Derrama, Greves, Frustrações, injuriar a Europa, Desemprego, Votar social blasfemando a sociedade… Enfim… Quase por fim…
Vou ler um livro, escrever uma aberração social, Ver quem chora de sede e guerra, Dar-lhes uma mão e ser diferente. Isto do social cansa, queria ser diferente um dia… Isso! Ser livre! Não há no supermercado? Então que se dane! Compro banalidades! Enfim… E agora por fim… Sentido com o carinho que lhe confiarem.
Gostava de beijar todos os que amo. Os meus lábios são livres naquelas bochechas… Escrevi um talvez não isto sei lá! Isso mesmo! Escrevi mergulhado na angustiante sociedade. Então escrevi linhas talvez não isto sei lá. Escrevi-as de livre e finalmente espontânea felicidade.
Domingo, Novembro 05, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:49 PM
Ultimamente este blog não tem sofrido significativas alterações, coisa que em breve vai mudar, isto porque tenho estado bastante ocupado e só agora me voltei a libertar para outras coisas que não a minha ocupação diária, e por vezes até alguns compromissos sociais. Por isso, ando a fazer uma espécie de antevisão daquilo que em breve sairá neste blog. Será uma crónica de âmbito abrangente, sobre as primeiras reais impressões de fundo sobre Lisboa. O trabalho já tem nome: "O Império da Cegueira" e espero que não só seja publicado brevemente, como também, vá ao vosso interesse e se possível encontro. Posta a explicação, esperem notícias. Fiquem bem
Sábado, Novembro 04, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:59 PM
Uma pequena nota para apenas referir que quando volto, ainda me faço desconfortávelmente notar para alguns. Aos que andam mais assombrados não é verdade...
Aos outros, esses pelos quais regresso sempre que posso, até ja. Fiquem bem
Segunda-feira, Outubro 30, 2006, posted by Pedro Carvalho at 4:38 PM
Acabo agora mesmo de estudar para a frequência de matemática e instala-se um silêncio e um vazio neste meu quarto que me incomoda. Para o quebrar, vou directamente ao computador e escrevo sem destino (raras vezes as que não passa por um papel). Abro uma página do processador de texto e coloco logo título, chamo a este texto “Logo se vê”. Porque agora escrevo apenas para que o barulho do teclado suplante o silêncio complicado de digerir. Sinto-me a escrever livremente, e assim vou desabafar. Acabo de perceber então que este texto vai para o “Fantasmas” mais dia menos dia… Contínuo a escrever… Estou fluente e vai-me saindo, sempre ao mesmo ritmo, quebrando o silêncio, com esta cadência, este compasso, com este tom… Sinto-me mergulhado num paradoxo que mais parece um puzzle, de tão complicado que se me oferece a solução. Percebo nos últimos dias que são os momentos de maior ocupação que me trazem mais fluentemente à cabeça “Fantasmas do Passado”. Sinto-me tremendamente estranho nesta condição… Sinto que “Fantasmas” de sempre guardados como que esquecidos, têm ocupado a minha cabeça, especialmente ao deitar. Não existe qualquer explicação racional para tal facto e isso lança-me no maior dos desassossegos! Conheci um jovem na minha faculdade, que só consigo caracterizar de uma forma: um rapaz diferente como tão poucos outros… Por tal ausência de caracterização começo a nutrir amizade e acima de tudo uma estranha admiração por todo o seu mundo. Partilha comigo o total alheamento a que parece se ter orgulhosamente votado, no meio de toda aquela vasta panóplia recheada desde os mais brilhantes aos mais tristemente destituídos de qualquer senso; no entanto, jamais seremos sequer parecidos na forma como encaramos uma qualquer missão que possamos ter no mundo, e como somos diferentes no saborear de cada minuto… Não seria minimamente lógico interromper o meu desabafo para falar de uma nova personagem da minha vida académica, no entanto, este parêntesis não é mais que a continuação de todo o desabafo. É que a sua forma de encarar o mundo torna os seus Fantasmas, leves dores de um caminho, a ser percorrido na mais breve calmaria de um pôr do sol de Verão. Talvez as ondas do seu mar sejam desprovidas de espírito, talvez prefira sentar-se na areia. Eu prefiro saltar a correr e sentir o beijo do vento na cara, prefiro a maior onda do oceano no meu coração, a um coração sem ondas, prefiro sempre o “Mais Além”. Mas pela primeira vez, uma forma de estar que não a dos “Mais Além” tem o leve trago do encanto na minha boca. A minha alma, cavalo selvagem de sensações, está carregado de feridas de tanto correr. O homem que se sentou na areia no pôr-do-sol, não conhece o mundo, mas apenas se sente dorido de manter toda a vida a mesma posição. Ambos iremos morrer, mas quem saberá o que realmente vale a pena?
Sexta-feira, Outubro 27, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:15 PM
A cidade esta deserta. E alguem escreveu o teu nome em toda a parte: Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas. Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura, Ora amarga, ora doce, (...)
Quarta-feira, Outubro 25, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:11 PM
Hoje fiz uma “maratona” necessária para quem leva estas coisas a sério. Algo de extraordinário, do alto da sua imprevisibilidade aconteceu. Comecei a ler textos do “Fantasmas”, li como se fossem histórias de alguém que não conhecia. Estava a gostar, tanto e de tal forma que li mais de metade do blog. Pasmei perante frases que eu próprio tinha feito em tempos que correram e que fizeram correr. Reparei que este blog não vai ter um fim quando li “Oliveiras de vida”, “Que haja mais luz”, “A história dos Mais Alem”, “Quando ganhamos terreno aos nossos fantasmas”, “Deixemos de caçar”, mais recentemente o “Aos que tem medo d’ Fantasmas do Passado”, já à muito tempo atrás o “Pensamentos, sonhos e nadas”… Enfim, uma panóplia bastante apreciável de sorrisos, actos, lembranças, lágrimas, desafios, respostas, vitórias… Invadiu-me um tremendo orgulho! Tive particular interesse em ler o ido texto de 9 de Abril “A estória daquela fotografia” , gostei mais de o ler à distancia tão mais tranquila do tempo que no momento da escrita. Achei-lhe piada, achei-me com piada na caótica turbulência dos meus dias e achei-me para ali a ler e ler e ler… Achei-me como espero achar-vos a vós. Como espero achar aqueles que conheço e sei que lêem com interesse. Noto que tudo o que escrevo no “Fantasmas” nunca é tema de conversa de café com nenhum dos leitores conhecidos, mas é sempre tema de assuntos fantásticos. Noto também que seria grande o prejuízo em parar, e seria mais curto o contributo que eu daria para mística que carregam grande parte das amizades que hoje alimento com gosto. Hoje sou o grande amigo de alguns grandes amigos. Com as qualidades e defeitos de sempre, mas com a particularidade de ser o “menino daquelas frases”. Gosto disso. Os meus grandes amigos gostam disso. E é por mim, pela minha consciência, valores pelos quais tento primar e também pelo simbolismo que tem cada um destes textos que continuo como no primeiro dia, sempre a evoluir passo a passo mas com muito gosto em aprender, procurando sempre a Luz, aquela que tanto marca este blog, e felizmente as decisões da minha vida. E para continuar a haver Luz, siga a emissão.
Segunda-feira, Outubro 16, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:18 PM
Pombal, 14 de Outubro de 2006
Estou no local a que se dá por nome de Bixo. Pedi ao Sr.Mário um pequeno papel e uma caneta. Ele aprovou, parecendo adivinhar que necessitava de escrever. Vi ali sentado um menino, um menino como outro qualquer. Totalmente alheado aos maus exemplos que aqui o rodeiam. Mas não são maus exemplos pelo que fazem. Respeito, admiro. São maus exemplos pelo que não o conduzirão a fazer, pelo mundo que lhe não irão conseguir abrir. Um mundo que não conhecem, porque também eles foram meninos, mergulhados nos mesmos exemplos de desistência. Também eles uma vez foram meninos que deixaram de acreditar. Exemplos desse tal mundo que também nunca ousaram poder conhecer. São filhos das gentes. Das gentes que precisaram de crescer à velocidade da fome. Condenados ao tempo em que nasceram. Condenados à cegueira, ao campo atrasado de tão infértil e cruel, condenados à fábrica barulhenta, de tão mecanizada e frustrante. Estes homens têm tanta culpa do que são, mas tão pouca culpa do que se tornaram… Tenho pena deste menino. Existe tanta possibilidade em ser pobre e genial como em ser rico e improdutivo. Existe uma vã esperança em ser sonho concretizado. Sonha menino! Sonha e lança sonhos ao mundo, os teus e os meus se puderes. Lança aquilo que me faz acreditar em tudo o que os privilegiados fazem este mundo esquecer. Quero orgulhar-me de ti criança. Como as outras tão diferente na condição. Foste votado ao mundo onde nasceste. Como eu, como os teus pais, como todos, votados à condição. Condenem-nos a todos à imprecisa e esquecida liberdade, não a essa de ir votar aos Domingos, mas à liberdade de querer nascer igual. Quero essa, a liberdade frustrada desde o pó egípcio sobre o Nilo às labaredas de Roma, essa falhada de Carlos Magno ao Império da Áustria, essa perdida no fundo convenientemente esquecido dos baú Romanov às artes dos Médicis de Florença. Essa menino. Talvez não consigas, talvez nem consigas ser menino, talvez seja um sonho. Quero sonhar assim, toda a vida assim…
Eis a indubitável verdade do ser: "Tenho reinado muito tempo. Os meus inimigos odeiam-me, os meus súbditos amam-me, os meus aliados respeitam-me… Nesta situação contei quantos dias tive de pura e genuína felicidade na minha vida: foram catorze! Oh homem, não confies nas coisas terrenas."
Quarta-feira, Outubro 11, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:09 PM
Conto-vos hoje uma história real. A parte da minha história real, minha com um adocicado toque de "nossa história real". A Quinta do Regato tem um verdadeiro conto que merece ser contado. O conto que vos conto, é a razão cimeira de minha presença contínua no Regato, no verdadeiro Regato, naquele Regato dos poucos, ou no Regato dos que sobram se preferirem. O Regato tem magia. Pois bem, acabo de vaticinar algo de trivial! Mas quem sabe se todas as terras não têm a sua magia? Não têm. É uma questão muito nossa eu sei, mas existe no Regato mais do que a já famosa manifestação amigável e de companheirismo. O Regato carrega histórias passadas, enganos, alegrias, toques, memórias, cantinhos, fotografias… Carrega e carrega-nos por vezes. Ao Regato devemos lições que nos tornaram o que somos. E como me lembro eu de um menino tantas e tantas vezes deixado lá atrás, hoje mais crescido, e sim podes ser tu companheiro dessas horas que agora lês o que conto e te lembras de ti, de mim e do Regato, os três juntos lá, como agora. No Regato, não raras vezes tive momentos maus, mas só num deles saí dali, disse a quem de direito que estava cansado, estava, estava o suficientemente cansado para não conseguir viver a vida e saí. No Regato vive-se tudo a valer, não vale desistir, não vale esquecer. Vale apenas sentir tudo, de toda a forma, em toda a oportunidade frequente naquelas noites. Permitam-me recordar o Regato como o hino à liberdade e confessionário dos pecadores. No fundo, é um nosso avô, o ombro secular de mão dada com os seus fieis, seguidores numa irmandade sem precedentes. E esperam vocês o conto não é verdade? Pois olhem numa noite escura, muito escura, negra na vossa alma, para o que vos rodeia. Sentes-te triste, sozinho e só mais um entre tantos… Então agora sê um dos privilegiados, não em ir ao Regato, mas em sentir o Regato. És um deles? Então, vai à eira, sobe o pequeno muro de pedra tosca, respira fundo, limpando as nuvens negras e estranguladas dentro de ti, faz silêncio, ama o silêncio e olha em frente… Pombal. Pombal à noite. Uma cidade na sua ocupação atabalhoada. Estás no Regato, na mais perfeita paz de espírito, numa comunhão perfeita entre ti, o teu passado, a eira, os medos e o futuro. Sente a maior lição e testemunho de confiança que aquelas oliveiras, aquela carroça, aquele campo te dão, se eles falassem diziam-te: “Tu és um dos que estás aqui e percebeste o porquê de aqui estar, em troca te damos o privilégio de estar por cima, de ver por cima. Lá em fundo vês o esforço das barreiras passadas e por passar, mas tu estás aqui, por cima do escuro, do medo e da falsidade.” E se algum dia eu lá voltar faria o mesmo podem querer, porque aquele menino que fomos, tivemos muito orgulho em ser. Sobre o Regato um dia escrevi: “Vou-me embora de ti,/Regato em pousios de sensatez,/Saboreando ventos de luzes lá em fundo”. Ao Regato o meu "Adeus cansado mas na tranquilidade e paz inestimáveis de sempre".
Quarta-feira, Outubro 04, 2006, posted by Pedro Carvalho at 3:52 PM
Todo o caos do mundo, Exprime a sua verdadeira ordem e essência. No caos se espelha o que de mais natural espero: A imaginação, a liberdade e a audácia Humana.
Porque haveria eu de seguir os escritos? Escrevo a minha história com o meu dom, Para assim me tornar o mago da Realidade, Da minha Realidade estilhaçada por espíritos múltiplos.
No meu mundo, o nevoeiro da manhã, Opaco de claros desconfortos, Some-se a cada lágrima que brota da minha tristeza, Secando a cada sorriso luminoso do sol, Que se põe solarengo e molengão no final dos meus dias.
Todos diferentes, escolhendo-me seu narrador e personagem. Assim é a minha Realidade desconexa. Conjuntos solitários de tão diferentes a cada dia, De formas tão disformes a cada sentimento pulsado.
Toda a minha Realidade é o espelho do meu mundo. A Realidade sou eu, a memória, a dor e o intelectual. O resto reza o esquecimento. Só a Realidade a mim me fica e me cabe.
Sexta-feira, Setembro 29, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:34 PM
Lisboa, 18 de Setembro de 2006
Sentado, recostado e à janela. Assim observo à noite a cidade que não vi de dia. Por lá passei misturado neste Melting Pot urbano, amálgama de cores, luzes, sons, sinais…Mas não estive lá. Limitei-me a cumprir o dever de mais um alienado do tempo escasso. Escrevo à meia luz de quem quer manter o escuro. Tranquilo e em paz. Estou tremendamente preenchido por inúmeras ideias a saber, foi este o meu caminho, o de saber ideias. Se me fechar ao fechar a janela, não ouvirei nada até ao acordar de amanhã. Mantenho-me aberto, como a janela. Aberto sem ter ligado sequer a televisão. Não sei o que se passa no mundo, este testemunho pode hoje ser banal porque nada mais sei que a minha realidade, a realidade da minha janela e da minha visão, também ela tranquila e em paz, pedindo-me inocente para que retire os óculos para que hoje possa ver em desfocado, numa realidade ainda mais vaga. Não estou minimamente confuso ou triste hoje, muito embora me sinta estranho, razão tão suficiente para aqui vos escrever. A razão primordial da minha existência, ser feliz, é hoje que como engolida por todo o comboio atropelante que é viver na capital, entre o inicio do sonho e o fim de um pensamento passam sete autocarros (todos eles atrasados), e três aviões, rasantes aos sonhos de quem quer voar sem asas um dia. No entanto, nunca me senti tão enérgico na minha secundária finalidade de vida que é a de fazer carreira. Estou-me a dedicar muito nestes primeiros dias de faculdade. Permitam-me ainda que acrescente que esta visão “janelar” do mundo, em nada ofende a razão primordial da vida humana por estas bandas, a tão banal e enfadonha finalidade que é consumir, essa é só importante entre o Colombo e o Corte Inglês, ou entre a definição de Economia de Samuelson que tenho de saber. Mas por mais banal, muito embora fervorosa que seja, é intrínseca a todos os que aqui vivem, é respirável a cada cheiro queimado, é ouvida a cada sirene, é enovelada a nós em cada nó de Metro. Foi talvez essa a única vivência que hoje tive de Lisboa. Porque como, porque bebo, porque me desloco, porque estou vivo, aqui sente-se muito mais uma finalidade última de nós mesmos, a finalidade do descartável. Isto não é Lisboa, mas isto também é Lisboa, e é muito Lisboa. Fiquem bem
Quinta-feira, Setembro 28, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:05 PM
Fui a um blog Coimbrão onde uma rapariga que não conheço escreve isto: “Não vou permitir que esses fantasmas possam ameaçar o meu presente e perseguir o futuro... Não quero! Acredito num Amor indestrutível, capaz de fechar estes fantasmas do passado numa caixa preta sem luar...” . Sabem, vivo uma fase de imenso orgulho na forma como tenho espelhado os fantasmas da minha vida na escrita que faço cada vez mais regularmente. Mas duas coisas fazem-me reparar neste excerto de um outro blog que não conhecia, a primeira é que as pessoas procuram fugir aos seus fantasmas, fogem a si. A segunda é que mais frequentemente que o devido, é confundido desgosto amoroso com fantasma, confusão que torna curta a manobra de quem escreve num “Fantasmas do Passado”. Essa confusão é, na minha opinião indevida quando a vida de alguém preocupado com tantas coisas que o rodeiam é afinal de contas, um antro de fantasmas que nos dão a benção de nos questionar-mos. É essa a magia. Porque também em Fantasmas há magia. Posto toda esta explicação, siga a emissão. Fiquem bem
Terça-feira, Setembro 26, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:08 PM
Vejo-me translucido num vidro de comboio, o sol baixo cega-me como me sempre cegou talvez, em toda a minha longa viagem, que nos cansa, nos põe tontos, cambaleando a cada ferida que se abre. Por mais espelhado que seja o caminho, por mais trigo já colhido, por mais vento que ondule no olival, por mais charco, pedra, carreiro, girasol, rosto, estação do ano, apiadeiro, tudo na sua natural desordem arrumada, nós penamos, mas não nos cansamos de estar aqui pelo trago vitorioso de simplesmente chegar. Chegar sempre e a horas pouco certas, tal como não mandam os bons cinismos e cobardias. Livres. Nós, todos aqueles tão poucos, os que ninguém entende por serem aquilo que a consciência mais facilmente entende e todos os dias os corpos arrependidos do que são renegam, nós, somos os "Mais Além". Tambem existe coragem no ser mais fácil, que é ser apenas o que se é na verdade. E a magia de ser "Mais Além", reside em ser aquilo que todos deviam ser, mas tão poucos o conseguem, porque afinal de contas, parece ser mais fácil esconder, mentir, fugir, ser políticamente correcto, ser falso, ser pedante, ser o que não se é, e tornar-se tudo isso, do que deixar-nos simplesmente ser aquilo que sempre fomos, com todas as consequências que nos fazem penar, e chegar como mais ninguém. E somos loucos entre vós, concretizamos aquilo que a vossa pequenez desconhecia poder de facto existir para além dos filmes: a lealdade, a coragem, a humildade, a energia, a diferença, a vantagem, o orgulho de assim ser, a luz, o penar, o chegar. Além. Tão além que vocês nos deixam de ver e nós ficamos sempre. Eles não sabem porque corremos à fugida do comboio, eles não percebem porque penamos. Eles nunca se abraçaram a um amigo como quem abraça uma oliveira e sente o seu azeite passado, a sua sombra presente, e a sua frescura à noitinha. E nós respiramos fundo aquele ar ameno que invade o nosso fundo com a mesma tranquilidade. Eu faço o que não conhecia saber fazer. Vens contente por que te mentes e te pensas feliz, dizer-me que o que de melhor faço não faz sentido? Vens tu que nos trilhos do comboio perdeste os escrúpulos, nos mesmos pelos quais os "Mais Além" penam por gosto porque sabem que chegam e se passeiam por paisagens carregadas de consciências que tantos atiraram borda fora por pesar de mais. Vens tu, que como eles, lançaste a tua consciência ao fundo do comboio, para não perceber o que somos nós, para seres vazio e conveniente à tua degradante vida social e enganadoramente erecta. A tua viagem foi mais curta que a nossa, e do fim da tua linha vês a consciência com falso desprezo, falso porque é fundado num medo terrível de teres consciência e de perceberes quem nós somos. Tu tens medo da dignidade, da verdade e dos teus truques. Eu aqui te repito, e mantem o desconforto, eu irei repetir sempre: a maior felicidade é penar para chegar. Como um "Mais Além". Aos que têm medo...
Sábado, Setembro 23, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:03 PM
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Levanta-te, sê escravo do que sonhaste, Do que sonhaste para ti, Que tu não sabes o que queres.
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... A torradeira queima, o leite salta, A chaves de casa, cartões e papelada, A bomba que caíu, a que valor está o petróleo?
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Oblitera o bilhete, passa o passe, Diz bom dia que podia chover mais, Espera em fila, passa o bilhete, oblitera o passe...
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Três passadeiras, cinco autocarros, Dois atropelamentos, o leão que foge do Zoo, Um carteirista, três Pai Nossos...
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Horas certas, pontual, boas maneiras, Preocupado, infeliz, amarrado. Para quando ser sem máscara?
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Rapariga linda, rapaz bem aprumado, Anel de noivado, chocolates, mentiras, Fogo de artíficio, fim da paixão, só artifício...
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Crédito suiço, paraíso no Haiti, Conta nas Bahamas, segredos em Vilar Formoso. Milhões morrem de fome, que sabes disso?
Triiiiiimmmmm!!!!
Acordas para fazer de ti, Todo o pesadelo em que a sociedade adormece, Adormeces com ela, morres.
Vieste... Vieste ser social, Confundiste felicidade com utupia, Escondeste-te e vais deixar de pensar nisso, Na comudidade covarde de não olhares para ti, De soslaio, sem tu próprio te conheceres. Tens pena de ti, Homem Social... Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac... Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...
“Lost in Translation – O Amor é um Lugar Estranho”, o filme de Sofia Coppola que venceu o Óscar de Melhor Argumento Original em 2004 e que contava com Bill Murray e Scarlett Johansson nos papéis principais.
Ontem foi um dia de recomeço para muita gente. Recomeçaram as aulas e recomeçou a monotonia. Até o fruto vermelho recomeçou, o que não é de todo estranho, afinal de contas eu sempre ouvi dizer que um mal nunca vem só. No entanto, para mim, não existiu nenhum recomeço. Continuo suspenso na minha deambulação sem rumo nem sentido. Continuo à espera de encontrar uma cidade que me acolha e de uma universidade que me receba. E pelo que vejo, e pelo que sei, não será missão fácil, mas cá estou para ultrapassar, uma vez mais, um caminho repleto de vicissitudes. A sorte é que chega a uma altura em que nos habituamos a este tipo de situações, e eu já me habituei a ter que seguir pelo caminho mais complicado. Ainda há três meses atrás alcancei o que muitos duvidavam. O que até eu, por vezes, duvidava. Mas saí vitorioso, da mesma forma que sei que sairei vitorioso agora. Não será tarefa fácil, tenho consciência disso, mas como diz, e bem, um amigo meu, “no fim tudo se resolve”. E é verdade. Demore o tempo que demorar, no fim tudo se resolverá. Resta agora saber atravessar este caminho, para que conquiste o que quero o mais rápido possível, mas sem nunca esquecer que, na maioria das vezes, o caminho mais rápido não é o melhor. Até lá, continuarei suspenso.
Quinta-feira, Setembro 21, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:22 PM
Desde o ínicio da minha nova "aventura" a internet têm sido meio muito pouco utilizado para chegar a vós, no entanto, está temporariamente restabelecido o encontro que vai permitir publicar textos, que tenho de facto escrito nesta minha ausência forçada. Peço desculpa por esta interrupção e lanço-vos um até já, na esperança, quase certeza que amanha voltarão a saber algo de mim. Fiquem bem
Sexta-feira, Setembro 15, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:10 PM
Lisboa, 11 de Setembro de 2006
São 9:15. Aqui ninguém olha… É estranha a distância, é compreensível a distância. É estranha a frieza, é compreensível a frieza. Nem mesmo o rapaz que escreve num caderno na esplanada do “Palma” é observado com particular atenção. Coisa estranha, coisa natural, estou perto da cidade universitária, certamente me imaginarão mais um universitário, hoje não erram no palpite, talvez errem em pensar que todos os universitários escrevem na esplanada do “Palma”. Não é certamente por me sentir diferente que hoje escrevo. Escrevo porque ontem escrevia, concluindo: estou igual. Escolhi esta mesa porque era a que tinha duas cadeiras, e até hoje, eu e a minha alma sempre precisamos de uma só cadeira para escrever, não olvidando as não raras vezes marcantes, que escrevi deitado ou de pé, por isso a mesa com menos cadeiras foi escolhida. É a primeira vez que escrevo em Lisboa. A sensação é completamente desmistificada de sentido, pelo menos hoje não me apraz particularmente escrever em Lisboa. Até hoje, a minha Lisboa está manchada de carros que passam, autocarros, táxis, os vidros dos carros que servem para nos pentearmos, e eu bebo mais um pouco de água,, e aterra um avião ali ao lado, um Pólo branco acaba de bater num poste ao estacionar, vai mais um autocarro a ir para os lados de Sete Rios, daqui a pouco tenho de me ir embora, uma mulher passa por aqui e tenta ler o que escrevo, acaba de desistir, e mais isto, e isto tudo, e isto nada, e isto agora preenche, e isto daqui a pouco é rotina, isto é Lisboa, isto é parte de Lisboa. Sei quem vai ler este texto com mais atenção, os meus amigos que estão muito perto de mim, não são 150 quilómetros de distância, são lembranças de amizade, projectos futuros, um abraço, um sê feliz, um obrigado. A eles mais um pouco de tinta, o resto da garrafa de água de um só trago, um até já… Vou entrar, ver o horário, posso ter aula a seguir, não sei e agora não é importante. O importante é ir, e pelo caminho apenas lembrar-me das minhas marcas, todas elas boas talvez, foram elas, as boas e as más que me trouxeram aqui.
Percorro os caminhos a que me dei. As escolhas, o partir e o chegar, As lições, as histórias, os projectos.
Vou-me embora daqui.
Vou-me embora de ti, Saco esponjoso de infância, desenho distorcido, Tapete colorido sentado à chinês, bibe em cabide.
Vou-me embora de ti, Sábados de almoços feitos, Mão dada até ao jornal, as Velhotas que me ficaram…
Vou-me embora de ti, Lápis de cor, desfile de Carnaval, Bicho da seda, “Toca e foge”, a alegria em meados de Setembro.
Vou-me embora de ti, Jogo de bola, berlinde partido, pião, Plástico redondo, figurinha colorida, miniaturas, imaginação…
Vou-me embora de ti, Consola em TV, CD’s e cassetes, Herói que salvou o mundo até a tarde seguinte.
Vou-me embora de ti, Os primeiros livros, cadernos, horários, Primeiro teste, tabuada, pretéritos tão imperfeitos…
Vou-me embora de ti, De braço ao peito para vos abraçar, As escolhas, os olhares, os primeiros jogos de chorar.
Vou-me embora de ti, Recordações, o toque, o amor, Amo-te e nada mais, dá-me a tua mão…
Vou-me embora de ti, Árvore de Santo Amaro, tudo o que se perde, Eu voltarei para te rejuvenescer de sonhos, te prometo.
Vou-me embora de ti, Regato em pousios de sensatez, Saboreando ventos de luzes lá em fundo.
Vou-me embora de ti, Luas mentirosas, noites pouco sérias, Contos, metáforas, erros. O inesquecível!
Vou-me embora de ti, Contactos de simpatia intragável, Cumprimentos, a t-shirt e a ganga a condizer.
Porque me olho para trás? Porque me lembro? Basta não esquecer. Porque vos sinto? Basta não esquecer.
Vós memórias, quedas, barreiras, Vós sois tudo o que vivi. Vós me amarrais e soltais ao amor de viver. Vós construístes a estrada.
Então, eu levei Bagagem e Amigos, Enfiei no saco os orgulhos, os Fantasmas, as memórias, Guardei fundo na alma que tenho, Aqueles que se orgulham do que agora escrevo.
Amigo, não me digais adeus…
De Samuelson, Keynes e outros tratados debaixo do braço, Perguntei ao Destino para onde me levavam os sonhos. -Ao Futuro. Para ti, Ele é já ali, É ali, adiante, e a depois, e além, além, além... Convosco.
Segunda-feira, Setembro 04, 2006, posted by Pedro Carvalho at 11:27 AM
O prometido é devido, mais, o prometido é mais que merecido! Ora cá está uma brilhante personalidade da rotina também deste blog, e sobretudo das férias de Verão. Para quem não conhece, um rapaz sensato, muito maduro, grande e bom amigo, um "party animal" na verdadeira ascensão da expressão, sempre animado e pronto para tudo. Para quem aqui escreve é muito mais do que isso... Este rapaz é dos bons, ele entende, ele está por dentro, ele chega a viver um pouco, ele sorri perante os antídotos, ele é dos nossos... Dos "Mais Além". Ele é desses, e daqueles de que há poucos. Para quem conhece ele é Tiago Trota, com Grade pelo meio. Poderia ser tantas outras coisas, todas elas agradáveis certamente. O destino meteu-lhe Grade. Eu meto-o aqui, amigo e "Mais Além", Tiago Trota.
Sexta-feira, Setembro 01, 2006, posted by Pedro Carvalho at 2:12 PM
Não, não andava nada fácil postar aqui. O bloger andava teimoso. Mas hoje eu fui mais teimoso que ele, ou então ele deixou de ser teimoso. Enfim, histórias que não interessam. O que na realidade interessa é que isto de ser GhostHunter passou... E tudo isto porque um homem não vai "à caça" por dá cá aquela palha, e se a caça anda fraca, perde valor, ou cai no descrédito, bem deixemos de caçar... Fiquem bem
Sexta-feira, Agosto 25, 2006, posted by Pedro Carvalho at 12:32 PM
Porque os Fantasmas nascem tantas vezes na viagem em cada curva inesperada. Porque esta musica cruza-se com o meu destino. Porque parece que o radio conhece os meus estados de alma e dispara isto a cada momento crucial. Ou porque sim, não interessa…
"Everybody's Changing"
You say you wander your own land But when I think about it I don't see how you can You're aching, you're breaking And I can see the pain in your eyes Says everybody's changing And I don't know why
So little time Try to understand that I'm Trying to make a move just to stay in the game I try to stay awake and remember my name But everybody's changing And I don't feel the same
You're gone from here And soon you will disappear Fading into beautiful light Cause everybody's changing And I don't feel right
So little time Try to understand that I'm Trying to make a move just to stay in the game I try to stay awake and remember my name But everybody's changing And I don't feel the same
So little time Try to understand that I'm Trying to make a move just to stay in the game I try to stay awake and remember my name But everybody's changing And I don't feel the same
Segunda-feira, Agosto 21, 2006, posted by Pedro Carvalho at 2:17 PM
Reencontrar-me comigo, reencontrar-me com eles, reencontrar-me com a minha história, ou parte dela, reencontrar-me com a Alma. Estou de regresso mas acima de tudo estou de reencontro. Todos estes textos agora afixados mostram este período fora e as suas vivências mais importantes. Com marcos importantes como o Bodo ou o dia 16 de Agosto, todos esses textos são acompanhados de outros em momentos isolados do calendário. Isolados mas muito importantes. Só os textos muito importantes para mim figuram aqui. E mesmo os mais importantes não são todos colocados, na verdade vou acumulando textos num dossier, dossier esse que durante estas férias engrossou significativamente, é que este período de afastamento foi mais físico que espiritual, permitindo-me um ritmo de escrita com uma cadência apreciável. Os Fantasmas do Passado estão de muito boa saúde no que toca a continuar cada vez “Mais Além”, cada vez mais “Ao mais alto nível”. Por fim, devo ainda acrescentar que se seguirá um pequeno texto relacionado com um grande amigo que aqui merece distinção. É o fim da interrupção na emissão. Fiquem bem
Pombal, 16 de Agosto 2005. Não interessa hora ou local preciso. Hoje, Quiaios, 16 de Agosto de 2006. Há um ano atrás. Há um ano atrás, num momento, nascia vazio e Alma. É por isso que hoje escrevo o texto tantas e tantas vezes esperado, medido, reflectido por mim. É o texto de 16 de Agosto. O dia mais fantasmagórico da minha ainda curta vida. Esperei e pensei este dia muitas vezes, imaginava-o sempre diferente, e em comum, teriam todas as minha suposições um ponto, este dia tinha de acabar com este texto, o texto de 16 de Agosto. Há um ano atrás nascia vazio e Alma. Nascia “fim da linha”. Nascia “estrada”.O vazio que nasceu foi dentro de mim e naquilo que me rodeava. Tudo mudara pois já não houvera algo importante, que já quase me caracterizava por “habituação”. Vivia colado aquilo que todos viam como um dado adquirido. Deixou de o ser, fica sempre um vazio, preenchido por variadas histórias, percursos, rostos e visões. Tornei-me plural, a minha visão tornou-se plural. Senti sempre tremendo orgulho em tudo o que de pé estava, porque de pé ficou. Se cair um Mosteiro por tempestades e abalos loucos, numa aldeia não se chorará o altar perdido. O Mosteiro cai por vontade do santo que lá era adorado. Só as paredes caiem. Rezemos pelos alicerces que ficaram e nos dão identidade, sem que estes se tornem ruínas. Oremos então… Oremos que temos nova “estrada” e o Santuário da Vida merece peregrinação. Faz hoje um ano, nascia Alma. Nascia o ethos dos Fantasmas do Passado. Se este meu último ano fosse vazio, não tinha sequer provado o sabor de “Ganhar terreno aos nossos fantasmas”, “Oliveiras de Vida”, “Que haja mais luz”, “A história dos Mais Além” e tantas outras palavras que desconhecia poder proferir. Nascia Alma nova em mim, pronta a fazer uma revolução de veludo à minha melancolia. Sem rejeitar os meus valores, nasceu algo dentro de mim. Sem nascer algo dentro de mim, e depois de tudo o que vivi, estaria isso sim, a rejeitar os valores a que sou fiel. Hoje é o texto ideal para eternizar a frase: “Não me arrependo de nenhuma letra, só me arrependo de vírgulas e pontos finais quando tinha ainda muito para vos dizer.”. Há no entanto um esclarecimento que deve ser feito. É a 16 de Agosto que nasce a alma de um fantasma, mas são as suas atitudes posteriores e descoberta de atitudes anteriores, que lhe concedem matéria para se alimentar. A tinta escorreu com uma sinceridade e abertura de alma que só envergonhou e incomodou os mais falsos e os que vivem num “apagão”. Prefiro ser cego um dia a viver no escuro a vida inteira. É interessante a minha relação com este dia. No inicio da escrita não saberia que tipo de texto poderia sair. Ao improviso, perco intenção e acutilância, mas mantenho a sinceridade e o entregar do que sinto ao papel onde escrevo. Também o dia de hoje foi vivido nessa mesma liberdade. Por volta da meia-noite sentei-me a escrever, mas reparei que têm sido mais as palavras que me fazem a mim, que eu a dar nexo às mesmas. Tinha vivido um dia de enorme tédio, nada tinha vivido ou experienciado que me levasse a escrever. A condução lógica e suave por onde me levei guiou-me à leitura. As páginas amoleceram-me. Adormeci. Fiz um tremendo esforço para não me levantar na manhã seguinte. Alguém lá do céu que um agnóstico como eu não consegue apelidar despejava água a cântaros. Não caí na tentação de pensar que estava a viver um dia tremendamente infeliz e que até os deuses choravam por mim, optei pelo básico tomar de pequeno almoço e manutenção do efeito de “consciência adormecida” patrocinada e financiada pelas 11 horas de cama que precediam todo o meu dia até então. Durante a tarde vivi um episódio de reter, fruto da efeméride que vivia. Pela primeira vez ergui um papagaio de papel no ar, sobre a praia, tremendamente insuflado no seu ego de objecto por um vento forte e constante. Não obstante, o vento não era suficiente para levantar o papagaio sem que este se despenha-se e seguida. A vida de um homem é um papagaio de papel. Muitos vejo que se queixam da falta de vento, mas não raras vezes o problema é direcção e persistência. Durante este meu último ano, e depois de grande dano sofrido após queda aparatosa daquele artificio de voar (a minha vida), tenho experienciado duas coisas. Sei manejar muito melhor o papagaio porque sei onde se escondem os poços de ar, e sei que algum dia adormeço e torno a cair. Mas hoje erguido no céu, deu duas piroetas, estabilizou no cume do céu e da minha existência, curvei inúmeras vezes, fi-lo aterrar com a precisão de quem pegava no cordel pela primeira vez e sorri. A cada papagaio estão reservadas inúmeras viagens, em cada uma delas adquire-se controlo e sorrisos. Estou muito feliz, e ainda tenho a cama por fazer, não importa. Estou feliz com a projecção do meu papagaio, estou feliz com o nascer de “estrada”, com o nascer de Alma, estou feliz com muito do que fiz no último ano. E agora a grande dúvida, a dúvida de muitos dias durante este ano. A dúvida de há um ano, de há seis meses, de há um mês, a dúvida de ontem, de hoje de manhã, a minha dúvida a cada dia que nascer enquanto viver em consciência.
-Pedro, hoje (logo hoje não é…) valeu a pena? Sim valeu, e como me sabe bem descobrir tudo isto enquanto as palavras flúem num texto todo ele improvisado neste momento. -Sim valeu, porque hoje, 16 de Agosto de 2006, eu ganhei aos meus fantasmas. Fiquem bem
Que me querem ensinar? Ensinem-me o que sou, Ensinem-me o que quis ser, O que devo ser, O que devo querer ser.
Ensinem-me a não ter esperança, Ou ensinem-me a realidade, Ensinem-me os sonhos realizáveis. Não! Desculpem tal atrevimento. Não! Eu quero ser irrealizável, Como a criança que não cresce. Eu quero esses sonhos. Eu quero acreditar. Eu quero ter esse meu sustento.
Eles ensinam-me se estiver “errado”, Eles ensinam-me a rotina, Ensinem-me a ser igual, Ensinem-me os camaleões, Os vultos, o cosmético, as traições. Ensinem-me a ter medo, Ensinem-me a não valer a pena, Ensinem-me algo. Eles não têm nada para me ensinar.
Ensinem as vossas conquistas, Os vossos postos, Ensinem-me o seu preço, E o vosso preço também. Ensinem-me a vossa vida, E a vossa servidão a essa morte lenta, Por onde vivem, ensinem-me. Ensinem-me o conformismo, A usura e o poder. Ensinem-me a ser gente, Que é de gente aos molhos de cem, O vosso capital e poder. Eles não têm nada para me ensinar.
Então vem comigo, ou eu contigo. Vem ser irreal comigo, ou eu contigo. Vem dar o primeiro passo, E tudo finda de seguida, Só a tua marca fica, E deixa pasto para outrem que não seja ovelha, Que não queira ser gente sem saber, Sem saber a responsabilidade que é ser gente!
Vem ser pouco gente, Vem ser selvagem. Porque deves a tua dignidade a ti mesmo, A tua dignidade não é ordem ou preceito de ninguém. Vem ser digno a ti, só a ti o deves. Vem pensar por ti. Que sejas velho sem nunca ter sido exemplo, Os que te podem condecorar não são exemplo. Vem e vê por ti, Vê como se vê para além. Vê o que pregam e prega por ti.
O poder não serás tu, Mas não deixes que seja o que podem fazer por ti.
Ouvia à pouco entre os barulhos dos carros nos primeiros passos pelas minhas bandas “Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…”. Parece estar lançado naquele momento o Bodo. O Bodo 2006 mas podia ser qualquer outro, porque num ano tudo muda, mas porque também todos os anos é a mesma música. Só os cantores mudam a cada cantiga… Mas não interessa, porque aconteça o que acontecer, o bom filho à casa torna. Vou desfazer as malas.
Pombal, 27 de Julho de 2006
Efeméride
A data de hoje é uma efeméride na minha vida. Mas uma efeméride particular. Abre um ciclo de recordações de acontecimentos de índole fantasmagórica. São três da tarde, estou a acordar e logo logo me lembrei de fantasmas, num Bodo que a um dia do fim se pode apelidar de fantástico por tudo o que aconteceu, um Bodo livre de questões, um Bodo sem amarras, um Bodo que nos momentos vazios teve a inteligência de não se questionar sobre nada. Todo o Bodo assim foi, até que agora me lembrei de um composto essencial a mim mesmo: a memória. Aquela mistura que explode no tubo de ensaio de uma vida a ganhar novas experiências. Hoje estou metal líquido e fluído, ou talvez gás inerte, ou talvez cansado sem me aperceber, ou talvez drogado com alguma excitação própria dos dias, escamoteando o cansaço por demais evidente a cada movimento. Viva! - Gritaria eu. Passei todo este Bodo absolutamente vazio. Agora não. Algo me percorre e me faz acordar e escrever. Apenas uma dúvida me percorre: talvez esta efeméride faça sentido para mais alguém. Talvez não. Lembrar é coisa de quem tem fantasmas que assombram por sentimentos presentes ou passados, variados, e pensar sobre a memória da forma doce como o fiz porque a respeito e procuro entende-la deve ser coisa minha e de poucos. Quem quer ter memória? Abençoados os que se orgulham da memória. Aos que se assombram por incómodo, cobardia, osmose ou peso de consciência, as memórias são afinal de contas pesos e nada mais.
À noite tenho saudades minhas, Daquele eu que não procurava, Era o que tinha, existindo por si só.
Hoje de noite converso comigo, Converso comigo entre dentes, Na vergonha de não saber o que procuro, Entre as sombras que me escondem o luar.
Procuro a luz, a lua, O brilho de cada noite, Fusco e assombrado por recordações, Cheias de antigos luares dourados. Procuro o mesmo luar de sempre, Porque se o homem for noite, E a felicidade luar, Que exista uma lua redonda a cada noite que passe.
Mas agora, é o agora em que adormeço, Enleado de sombras (as memórias), Tenho medo das trevas, Enquanto busco a lua nova, Por detrás de cada noite clara que passei.
Sábado, Agosto 05, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:02 PM
Num final de noite arejada pelo mar, um grande amigo tentava-me, de forma inconsciente, suscitar dúvidas quanto ás acções que tomo com reflexos do meu passado. A resposta saiu-me pronta.
”Não apago o passado, deixo que este se apague por si mesmo.”
Numa fugida estive em Pombal cerca de 24 horas. Muitas coisas tenho escrito e publicarei no meu definitivo e verdadeiro regresso, na verdadeira concepção da palavra. Por agora, fica algo do ínicio destas férias e que publico desde já. Estão prometidos os textos feitos durante a época "bodista" e dias seguintes.
Quinta-feira, Agosto 03, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 1:28 AM
E lá passou mais um Bodo. E como é emocionante frequentar as festas da santa terrinha. Na manhã de quinta já se notava um cheiro a Bodo no ar (isso ou um cheiro a farturas, já que são cheiros que se confundem facilmente). Pombal estava caótico: o transito estava mais impossível que o costume; os passeios transbordavam pessoas para a estrada antevendo as típicas noites “bodistas”. Um verdadeiro êxodo rural. Mas para mim a tarde foi apenas de preparação para dias que aí vinham, com muito descanso e muito Omerta, já que tinha a perfeita consciência que estaria afastado dessa vida, pelo menos, até terça. Já mais à noite a procissão das velas dava o pontapé de saída oficial para o Bodo 2006, enquanto o Benfica levava um banho de bola do Sporting. E enquanto (por motivos de força maior) o corpo andava por entre a procissão, a mente já imaginava as cervejas que mais tarde viriam a escorrer pela garganta. E escorreram, aliás assim que a procissão terminou juntei-me ao “grupo” naquela que viria a ser a nossa casa durante as festividades: o bar dos motards. Foi um momento de reencontro pois o “grupo” andava afastado há uns dias, o que não iria acontecer durante o Bodo, já que praticamente não nos separámos. Foi ainda na primeira incursão pelo bar dos motards que se deu o primeiro contacto visual com Fantasmas do Passado. Também estes andavam afastados, e também estes estiveram sempre por lá, ainda que, felizmente, mais distantes. No que toca ao verdadeiro Bodo a noite foi fraquinha. As bandas não tinham público e o pouco que lá estava parecia demasiado exigente. Quem viu aquela “noite da juventude” é bem capaz de ter temido pelo futuro do Bodo. Felizmente as noites seguintes provaram que o Bodo é tão imprescindível a Pombal, como o Rui Costa ao meio campo benfiquista. Mas voltando à noite de quinta, esta acabaria onde têm vindo a acabar as noites de quinta: na Várzea. Local de encontro, conversa, reflexão e caça dos Mais Além. Na sexta-feira acordei tarde. Estava a gerir esforços, já que facilmente se adivinhava a “dureza” das restantes noites. A chegada da minha irmã a Pombal trazia carro, o que é sempre uma ajuda para poupar as pernas. As festividades de sexta começariam na holding, outro antro dos Mais Além. Por entre cartadas, guitarradas escorregaram as primeiras cervejas. Foi ainda na holding que o destino voltava a brincar com a, cada vez mais mítica, música dos Pink Floyd. O destino gosta de jogar com os Fantasmas, mas existem lugares em que nem a presença física dos mesmos nos incomoda. Começava aí uma indiferença mútua que se prolongaria até ao fim. Até agora. A noite voltava a levar-nos ao bar dos motards. Pelo meio, o concerto do David Fonseca remexia sentimentos: recordaram-se momentos, lembraram-se pessoas, cumpriu-se o estipulado por mim mesmo. Era a força dos Mais Além a mostrar-se, numa noite onde até fantasmas inferiores tentaram interferir. Sem sucesso. Os Mais Além pegam os touros pelos cornos. Mais tarde, e depois de mais uns quantos cigarros e de umas quantas cervejas a noite viria a terminar no sitio do costume. A seguir vinha a noite de sábado, aquela que à partida seria a mais renhida, e para a qual me esforcei para recuperar a forma outrora perdida. Sábado surgiu com um assunto sério que viria a ocupar a tarde inteira, pelo que o reencontro com o Bodo e com o grupo apenas se deu pouco antes do concerto dos Da Weasel. Aí sim, estivemos todos. A única noite em que o “grupo” esteve completo. E até o último dos Mais Além estava presente. Esclareci de imediato que a noite de sábado corresponderia às expectativas. Da Weasel até começou com “força” mas o facto de já os ter visto várias vezes e de ter uma garrafa de Gin fez-me estar mais calmo. Só lá para o fim é que embarquei nas loucuras dos concertos, mas sempre com o Gin bem agarrado, principalmente quando este sobrevoou umas quantas cabeças duvidosas. Com o final do concerto fomos para casa, digo para o bar dos motards. Já mais tarde e para mudar um pouco de ares passamos pelo Nicola onde as coisas já começavam a ficar sérias. Continuámos a ficar mais sérios, enquanto fazíamos os típicos passeios de Bodo entre a tenda e o arnado. Até que rumamos ao nosso antro espiritual, onde se criaria a mais espectacular história do Bodo: Os 5 Metros Arbustos. Prometo mais tarde postar aqui material vídeo que vos explicará a coisa, já que não consigo transmitir aqueles momentos em palavras. O que posso dizer é que surgiram algumas lesões e alguns cortes, uns mais graves que outros. Devido a isso mesmo a noite ficou mais lenta, já que a velocidade tinha de ser especialmente moderada. Já num momento de algumas recaídas, voltaram a aparecer Fantasmas. Admito que chatearam, mas não o suficiente para comprometer a noite para a qual recuperei a minha forma. Noite que iria terminar em casa de um Mais Além com um belo copo de Gin. A “manhã” de domingo viria confirmar as mossas da noite de sábado. É certo que o facto de ter dormido no chão não tinha ajudado, mas a fatiga muscular tinha claramente uma origem herbácea. Mas para loucura das loucuras mesmo depois de regressar a casa, o chão continuou a ser a minha cama. O final da tarde, depois da recuperação possível, trouxe Carlsbergs que apesar de uma estranha apatia inicial acabariam por ser bastante bem vindas. A tarde traria ainda uma magnífica visão, digna de ser fantasma, mas que não cumpria os requisitos mínimos. A noite confirmaria o bar dos motards como nossa casa, já que para os ranchos folclóricos foram facilmente trocados pela cerveja barata (e muitas vezes à borla). Sentados nas cadeiras que já eram “nossas” conversámos sobre tudo e sobre nada. Os copos acumulavam-se fazendo uma bonita torre da qual nos orgulhávamos. A facilidade com que surgiam amizades confundia-se com a facilidade com que a cerveja nos vinha parar à mão. Ninguém se queixou, pelo menos directamente. Por fim juntou-se um Grande, e a noite ficou maior. Pelo meio os Fantasmas ainda chatearam mais um pouco, mas o antídoto vinha sempre parar-me às mãos. A madrugada foi de troca de experiências, de conversas saudáveis, de uma compatibilidade difícil de encontrar nos dias que correm. A manhã acabaria por surgir, como também surgiu a fome. Só depois veio o merecido descanso, quando já pensávamos na efemeridade do Bodo. Quando acordei a manhã já era praticamente tarde, mas o sono manteve-se. A tarde foi para recuperação já que uma aula de condução marcada para as 18:00 pedia uma sobriedade estranha para um dia de Bodo. A noite surgiu rapidamente. Ao “grupo” juntaram-se mais uns quantos, sempre bem vindos. Em noite de despedida as ofertas surgiam a uma velocidade vertiginosa. Voltamos a ocupar as “nossas” cadeiras e as nossas mesas. O factor cansaço fazia com que a tenda não fosse sequer considerada. Pelo menos até nos mandarem embora. Os Fantasmas ainda apareceram uma última vez, mas a indiferença e a frieza gerada na sexta manteve-se até ao fim e a noite continuou. Os brindes sucederam-se, as pevides foram devoradas e as horas passaram-se. Viveu-se a última noite até que as forças nos abandonaram de vez. Acabava o Bodo 2006: O Bodo dos Mais Além…
Sexta-feira, Julho 21, 2006, posted by Pedro Carvalho at 12:32 PM
Emissão interrompida por motivos de férias e pc´s caducados... No entanto os fantasmas não fogem e está prometido um conjunto de textos datados que se irão escrever nesta pausa, aquando do regresso. Fiquem bem
Domingo, Julho 16, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:34 PM
Ontem percurri quase meio país. Somos pequenos, talvez de estarmos habituados a tantas grandezas, vê-mo-nos pequenos. Por essa volta a Portugal, vi uma rapariga, menina, mulher, n sei... Não tenho geito para estas coisas e acho que as descrições são coisas rídiculas. Por vezes... Nestas ocasiões rídiculas, por vezes... Vi-a e era diferente. Alta, elegante, bonita e bem vestida. Estraordinário mas sobejamente frequente. Nada que uns anos em cima não atropelem com violência e sem perdão histórico. Mas existia algo mais, que não a "química" ou "aquela substância". Isso, são ficções para quem não acredita nelas como eu, e utupias para quem nem com ela falou. Mas existem perfeições que marcam mais que uma visão esbelta. Levava consigo três livros de baixo do braço, dois de psicologia e um romance. Lia muito e bem certamente, seria culta, procuraria por diversos interesses a cultura, mas não era obsecada pela mesma e seria leve no geito, no traço e na forma como percorreria as tarefas do mundo mundano. Parecia calma e tranquila, prodígios de uma voz doce a chamar o françês por motivos que suspeito estejam directamente relacionados com uma infancia que perfiro pensar que foi passada em Paris. A tranquilidade, o gesto, a voz, os interesses que mostrava ter, a beleza, o olhar claro, tudo atribuía-lhe um toque de perfeição e ate divindade. Passou por mim variadas vezes e não causou perturbação, desejo, ou acto. Apenas admiração e uma sensação de materialização do que pensei não existir. Afinal existem, e talvez diga "ainda bem". Fiquem bem
Sexta-feira, Julho 14, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 9:04 PM
aEsta semana foi a coisinha mais non-sense que já vivi. O tempo era demasiado para tão pouco assunto. Tardes intermináveis eram preenchidas com conversas indecifráveis que nem nós conseguíamos descodificar. Discutir o sexo dos anjos teria sido mais interessante, mas como eu não acredito nessas coisas nem toquei no assunto. Ontem sempre veio uma brisa de novidade, talvez com a chuva (ou não), mas a pasmaceira rapidamente voltou. No entanto esta noite faço uma pausa na pasmaceira. É que vou trocar a pasmaceira pombalense por um, sempre agitado, Congresso Nacional da Juventude Socialista que decorrerá este fim-de-semana na Guarda. Assim sendo, até segunda e muito boa sorte nessa luta contra a pasmaceira.
Fiquei agora a saber, através do Eco, que Sua Excelência o Sr. Presidente da República passará por Pombal durante as comemorações das Festas do Bodo. Isso seria (e será) certamente motivo de orgulho para Pombal e para os Pombalenses. Não para mim. Para mim, Cavaco Silva continua a ser o Presidente de Todos os Portugueses Menos de Um. É que o facto do Sr. Acabado, aliás Sr. Regressado passar por estas bandas é apenas mais uma boa razão para eu me escapulir do Bodo deste ano. É que eu não gosto do cheiro de laranjas podres e já me chega ter que andar a cheirá-las à mais de 12 anos, ainda que em quantidades “locais”. No entanto esta visita até tem algo de positivo. É que assim o mítico trocadilho faz mais sentido… “Ai vais ao Bodo… Lá te apanho, lá te…”
São 14:05. Sentado no café rio aguardo pelas 14:30, hora a que os resultados dos exames serão afixados. Escrevo estas palavras num daqueles lenços das pastelarias. O calor incrível faz com que o suor escorra pelo rosto, enquanto a ansiedade toma conta de mim. A esperança é muita. A certeza é pouca. Espero poder festejar esta tarde, afinal de contas um calor destes merece umas boas e frescas cervejas. Falta apenas (mais) um motivo para as beber. Falta apenas 20 minutos…
Aos campeões os prémios. Aos campeões a celebração. Numa competição (e só as existem quando estas são desportivas) é bonito ver os jogadores no pódio erguendo o prémio aos céus, (desculpem no erguer do troféu, era no erguer do troféu que eu queria dizer!). Vejo na televisão, ou ao vivo celebrações e troféus de vitória, mas ontem presenciei um erguer de algo que seria maquete ou réplica de algum prémio ou então celebração de um prémio que mais não serviu que de consolação de alma para quem o vai erguendo convicto. Bem, apenas erguendo, risquem o convicto, porque os campeões erguem o que quiserem e erguem-no em frente a todos e não de fugida e na penumbra como foi o caso. Pouca convicção ou algo mais. Resta as considerações éticas acerca de um desporto do qual não sou praticante, porque não o entendo como tal e do qual o detentor do "acto de erguer" é notoriamente atleta de segunda linha. Quanto às considerações ao acto de erguer, considero que quanto a uma provável e manifesta falta de nível ou educação, não me poderei pronunciar pois não passam de "Outros" que os "Mais Além" conhecem de vista e de actos isolados, vazios, e penosos para quem os comete, sendo que dessa forma, e dado que não meço o nível ou a educação dos "Outros", sou obrigado através de actos estranhos, inflamados, nervosos e cobardes que os "Outros" praticam, a pensar que afinal de contas, andam os "Outros" quase assombrados pela presença de um grupo de pessoas. Tornei-me Fantasma, quase Morto-Vivo para os "Outros". Tornei-me eu e os meus amigos, porque isto de ser amigo de Fantasmas encaminha-os directamente para o purgatório. Os "Outros" andam assombrados. Será a própria sombra? Não, estava noite. Será consciência? A existência de tal substância transcendente nos "Outros" é uma incógnita que se estabelece na igual proporção que se estabeleceu para a educação dos intervenientes. Será que o passado pesa? Não desejo que o faça. Será que irei questionar-me sobre o que realmente assombra os "Outros"? Não. Começa a estar fresco lá fora e tenho de ir. Estão assombrados e reagem de forma imprevísivel às assombrações. Talvez nem eles, os "Outros", saibam que estão assombrados. É como o animal que faz de animal sem saber que à algo mais que ser animal. A cada um sua natureza. Aos campeões os prémios. Aos de segunda linha as celebrações. Aos "Outros" as assombrações... Fiquem bem
Terça-feira, Julho 11, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:09 PM
Suponho estar perante a minha nova imagem de marca, isto porque o olhar e sobretudo o cabelo são representativos de uma qualquer reacção pseudo-alérgica aos Fantasmas do Passado. Após esta brilhante "foto de momento", todos poderão observar cabalmente a cara de quem possívelmente estaria a recordar visões fantasmagóricas. Mas deixando-me de delírios bem dispostos, vamos à verdade. A verdade é que a foto é simplesmente uma foto num momento bem disposto criado por três amigos numas férias que de fantasmagórico, até agora, apenas têm tido a pasmaceira que se tem vindo a assistir.
(Um grande agradecimento à Rita que me "penteou" de forma a parecer estar perante uma encontro imediato de 3ºgrau)
Não, desta vez não me estou a referir ao regresso (atribulado) a este blog. Falo sim do regresso de algo que em tempos julguei extinto. Para ficarem com uma ideia do que aconteceu imaginem que acabaram de ver o “Jurassic Park” e que quando vão a sair de casa dão de caras com um velociraptor. Foi mais ao menos isto que me aconteceu, e ainda que julgue ter a situação controlada é sempre um risco, não vão textos antigos fazer sentido outra vez. E a culpa disto tudo é do maldito subconsciente (que me fez ouvir e cantar o “Wish You Were Here”) e da irritante ironia do destino que se lembrou de tornar o meu desejo realidade. Só espero que daqui a uns tempos não dê comigo a cantar o “Goodbye My Lover”…
Isto está difícil… agora que até queria regressar ao activo neste blog, o meu querido pc lembrou-se de passar ao estreito. Enquanto ele estiver mal disposto a minha prestação neste blog volta a ser de serviços mínimos, uma vez que o portátil com que agora “trabalho” já tem uns anitos em cima e eu não posso pedir-lhe muito.
Segunda-feira, Julho 10, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:13 PM
Foi dificil e à italiana, mas chegaram ao Tetra. Resta-nos esperar quatro anos pela maior festa desportiva do mundo depois dos Jogos Olímpicos. Parabéns Itália
Domingo, Julho 09, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:03 PM
Já à muito, nada de plenamente fantasmagórico me tem assombrado. De facto, quando num blog que fala dos Fantasmas se escreve "Um sorriso em fim de ciclo", talvez pouco exista para dizer, pelo menos durante uns bons tempos. Hoje decidi parar, nem que seja por momentos. Por vezes talvez custe respirar fundo, parar e pensar, ou olhar de soslaio para trás ou de forma decidida para a frente (desculpem-me a falta de geito de não saber olhar bem para o lado, falta-me treino e vontade). Sinto-me tantas e tantas vezes dividido entre a preguiça de olhar em frente a tentar descortinar tudo o que brevemente o tempo me levará a ver facilmente, e relembrar tudo aquilo que passei até hoje, de bom e mau, em tantas histórias que temos a contar... Ando assim. Não sei bem porquê, sei que a pergunta não será "por quem". Não sei se sou mais ou menos feliz assim. No entanto, a preguiça de correr em busca do futuro ou de esgravatar o passado é algo de estranho e tão pouco comum em mim, que chego quase a estranhar-me a mim mesmo. É talvez nessas fases em que me estranho de estar mal habituado a ser tão racional como me considero ser, não mais que diárias em mim, que fico mais nostálgico, parado, pensativo. Durante todas as outras fases que percorro durante estes meus últimos dias vivo compenetrado em projectos quase diários, sem qualquer interesse que não a mera ocupação pessoal. Aprendi com o meu melhor amigo coisas que ele nunca me ensinou. Simplesmente mostrou-me por variadas vezes que se dá a volta por cima de formas que nunca imaginei. Sou a mesmo Pedro de sempre, sei-o perfeitamente e orgulho-me disso, mas conheço melhor o sabor de cada momento diferente, sem grandes projectos que não o projecto cada vez mais megalómano de ser inteiramente feliz. Procuro em cada dia os pequenos sorrisos. Talvez tenha descoberto um novo conceito de felicidade e de realização pessoal numa felicidade feita de detalhes e da plena segurança de gostar de ser quem sou. São pouquissímas as variáveis que dominamos na vida, e talvez por isso tenhamos os dias maus e as contrariedades, mas afinal de contas, os "Mais Além" terão sempre motivos para sorrir, e os "Fantasmas do Passado" existem mas há mais detalhes, que não eles, para viver e ser feliz. Fiquem bem
Terça-feira, Julho 04, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 11:56 PM
Cá estou eu, ainda que estivesse difícil, já que uma perigosa mistura de preguiça com falta de tempo tem reinado por estas bandas. Mas estou de regresso (ainda que essa mistura ande por aí) e por cá continuarei a falar de fantasmas, os meus e os do mundo… Isto porque vou iniciar uma rubrica semanal ás sextas, onde falarei de temas ainda mais sérios. Resta-me esperar que fiquem aí para ver.
Sábado, Julho 01, 2006, posted by Pedro Carvalho at 11:07 PM
Os meus campeões foram-se embora, mas deixaram tudo em campo, jogaram bem, aos 88 minutos foram roubados, saíram nos penaltis e enfim, daqui a quatro anos à mais. No entanto o Mundial 2006 ainda não acabou. A pátria ainda está em campo e hoje fez-se história. O próximo passo é chegar à Final. Vamos acreditar.
Sexta-feira, Junho 30, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:26 PM
Andávamos a viver um período de "Pasmaceira". Hoje esse período foi infelizmente interrompido. Não poderia deixar escapar algo que torvou o meu espírito que pelo facto de ser democrático, coisa que talvez não abunde em determinados concelhos deste país, ficou abalado por notícias locais e nacionais que me deixam estupefacto. Ao nível local, o Presidente da Assembleia Municipal por ter usado da palavra, teve um acto que consideraram imeditamente de "abuso de palavra", porque isto de criticar os companheiros de partido tem os seus custos. Uma nota de indignação perante tal facto, parece que o "abuso de palavra" tratou-se de dar voz a Sérgio Leal, vereador pelo PS. O Presidente da Assembleia Municipal, cumprindo o seu dever de forma, que ao que me chegou, foi lícita e correcta está a sofrer do mal de "Democracias Condicionadas". Substancialmente mais grave que este facto é a "Democracia Condicionada" da Câmara Municipal do Porto. Soube com surpresa e preocupação que o Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, praparou uma plano de financiamento camarário em que só serão abrangidas as instituições que se comprometam a não criticar a Câmara do Porto. Se tantos lutaram por um estado de direito, justo, livre, que se regesse por uma Constituição Democrática, questiono-me sobre o porquê de os políticos eleitos democraticamente tomarem medidas anti-democráticas a fim de manter o poder a todo o custo. A Democracia é o poder do povo, serve-o a ele e a ninguem nem nada mais! Por esta máxima pela qual luto e acredito entristece-me e preocupa-me a mediocridade de medidas que são abertamente anti-democráticas. Preocupa-me a falta de visibilidade que a imprensa dá à chacina de valores democráticos praticados de forma mais ou menos encoberta neste país. Não foi por isto que tantos lutaram, e desvios tão graves à identidade democrática como estes, só tem de ser vetados e ter a reprovação de todos aqueles que acreditam na Democracia, ou se preferirem, no sistema político que conduz a humanidade ao progresso em liberdade, paz e verdade. Fiquem bem
Terça-feira, Junho 27, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:48 PM
Parece que fiz hoje o 12º ano oficialmente. Pronto lá vamos nós embora para o ano... (entenda-se o "vamos nós" para quem, espero, vá comigo!). Só em nota de comentário final, afinal estou em "fim de ciclo", nasceram Fantasmas hoje para coisa de 40% dos estudantes do ensino secundário em Portugal. E a ver pelas minhas aulas, a culpa não deve ser só dos alunos... Fiquem bem
Quarta-feira, Junho 21, 2006, posted by Pedro Carvalho at 11:23 PM
Pálido. Monocromático. Desinteressante. Fraco até. Do festival se passou ao calculismo tão útil numa prova em que se joga 2 vezes por semana. O Argentina-Holanda foi um jogo de grandes equipas, combinadas para não correr muito. A única equipa à procura do golo foi a Argentina, mas a falta de empenho levada ao adormecimento só abalado pela inteligência e rasgo de Tevez (frequentes do princípio ao fim) foi insuficiente. A Holanda sem Robben perde velocidade e vê Nistelroi sem bola para um único remate em todo o encontro. Van Piersie, Van der Vaart e Sneidjer estiveram muito mal para os cinco medios argentinos, mesmo a baixa rotação. A holanda domina os 20 primeiros minutos, após isso desaparece. é o melhor período do jogo, a Argentina nas suas tabelas desconcertantes cria perigo. Bola no poste num quase auto golo, Maxi Rodriquez pela direita em remate espontaneo prometiam e canto directo de Riquelme levantou-me ainda da cadeira... Messi muito recuado a servir Tevez jogava bem mas faltava o último passe. Esse é de Riquelme que pensava no México durante todo o jogo. No final da primeira parte o 0-0 aceitava-se. Na segunda parte a Argentina faz do príncipio ao fim um jogo miserável. O que é a Argentina sem a velocidade de Sorrin? Hoje pareceu muito pouco numa exibição pobre de Cufré. Tevez, Tevez e mais Tevez e nada mais. E pouco foi. Chegava o 0-0. Entra Aimar, sai Riquelme e nada. O jogo tava feito. Estaria pelo menos se a Holanda nos últimos 5 minutos não se lembrasse que ficaria em segundo do grupo se tudo acabasse assim. Tarde de mais. Jogo pobre onde o negro apareceu mais que o azul celeste. A Holanda tem futuro, pelo menos com Robben na esquerda , na direita, em todo o lado enfim.
Domingo, Junho 18, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:16 PM
Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê tudo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
Para os exames ou para descrever e vencer Fantasmas ou para o tri da Argentina. Para tudo, dá sempre tudo de ti!
Quarta-feira, Junho 14, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:10 PM
Hoje puderam-se fazer contas mais sensatas. As antigas e as de hoje, compiladas de forma correcta. De facto um número é algo de tão redutor... Quem diria que estes três anos foram 18,538 valores de história. Serão sempre mais do que isso. Seguem-se os exames e novos fantasmas, e as recordações dos velhos, e dos de sempre, e dos que chegaram a presidentes, e dos que não passaram de desprezíveis, e dos que se cruzam connosco na mais lamentável das coincidências, e de todos os outros. Tudo isto e tanto mais, os amigos, as histórias, as festas, as personagens e todos os Fantasmas falados noutros caminhos por este blog a dentro fizeram destes três anos mais do que um pequeno código. Um símbolo de tudo isto. Fiquem bem
Que dia... Que dia fantástico... Dias destes há poucos. Chove a cântaros, não raros os raios que percorrem o céu rasgando-o, eu em casa, e os Fantasmas por aí. É nestes dias que eles mais passeiam entra as poças de água, as da rua, não as nossas, deixam a sua sombra e a sua impressão nas caras tristes da cidade ou no silêncio dos campos encharcados. Amanhã tudo volta ao normal. Espreitará o sol, as pessoas voltarão a sonhar com o Verão e no campo a frescura faz rebentar com mais força o pasto e as esperanças do gado. Afinal de contas os Fantasmas são os ciclos da nossa vida, e como em tudo, há sempre Verão e Inverno, Fantasmas e Fantasmas, e uns chegam a nós como as figuras de um ciclo, os outros fintam a nossa atenção e perdem-se na memória tão ocupada por tantas outras coisas. Acho que nos dias de chuva, os "Mais Além" refletem e soltam-se, ou soltam-nos, a eles Fantasmas, enfim, talvez por vezes seja dificil a distinção entre o que somos e o que nos preenche tantas e tantas vezes, por esses Invernos fora. Hoje fiquei com pena de viver ocupado. Que dia para estar com eles... Estou sem tempo para eles. Que pena. Estão sem tempo para mim. Perfeito. Amanhã estará sol, nasce um novo ciclo, e eles vão-se embora, gostam mais das tristezas invernosas da nossa vida para nos acompanhar. Amanhã, a menina do boletim meteorológico, menina ingénua e infantil, um doce de menina certamente, vai ingénuamente dizer que vai estar sol. E no meio daquele sorriso, irei eu sorrir, eu por outras razões. Pela simples razão de ir fazer sol, ri a linda menina, ri este país ávido de férias, e riu-me eu de acabar um ciclo na cidade, no campo e nos meus Fantasmas. Fiquem bem
Domingo, Junho 11, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:35 PM
Está lançado o Mundial 2006. Vamos todos durante um mês falar de futebol e do resto, e todos sonhamos com um Portugal campeão do mundo. Não fujo ao lote de sonhadores mas não me posso esquecer da minha selecção de todos os mundiais, o país das pampas, a Argentina! A verdade é esta, estou dividido. Sempre fui um patriota e coloco a selecção portuguesa acima de qualquer outra, mas a simpatia (ou mais que simpatia) que sempre senti pela Argentina faz-me ficar dividido. Se escolhesse existia um Argentina-Portugal na final. Quem ganharia? Não sei, mas não ficaria triste em qualquer das situações.
Quinta-feira, Junho 08, 2006, posted by Pedro Carvalho at 11:15 PM
Hoje desfolhei folhas por motivos escolares. Desfolhei folhas, ou tempo se preferirem. Não fiquei nostálgico. Na verdade senti que o tempo tinha passado por mim, e não eu por ele. Mudou mais o que tem estado à minha volta, do que eu propriamente. Diria que mudei, mas qualquer um me reconheceria como o mesmo Pedro, o tipo ponderado, racional, geralmente bem disposto e que passa despercebido por aí. E se mudar é saudável, olhar para trás com tranquilidade e algum orgulho no que fui e afinal de contas sou, não deixa de ser delicioso. Fiquem bem
Terça-feira, Junho 06, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:12 PM
Ouvi dizer que eles hoje vão andar por aí... Não os Fantasmas, eles hoje tão de folga, dado a minha boa disposição desde ontem e sobretudo dado que hoje é o dia lá do Diabo. Dizem tambem que o problema é de ser dia 6 do mês 6 do ano 2006. Acrescentem aí o "6 meses de blog", não de Fantasmas, que esses como qualquer alma penada que se preze, perdem a idade nas memórias do tempo. Mas gosto do dia, anda aí tudo a "espumar da boca", cheios de nervos, capazes de tudo para subir um valor numa nota, sendo uns quantos por motivos pouco demoniacos, chamam-lhe exames. Acho que o demónio encarnou na falta de ética e companheirismo, é que hoje valeu tudo para "ficar por cima do colega", nem que fosse um valorzinho na pauta. Enfim, o dia do 666, quando o "Fantasmas do Passado" faz 6 meses. Fiquem bem
Domingo, Junho 04, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:04 PM
Apenas o agradecimento, sob a forma de testemunho, acerca do artefacto, que já é símbolo de Repelente contra Fantasmas, tais são as memórias deste artefacto. Obrigado
Quinta-feira, Junho 01, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:08 PM
Em Portugal, nunca nos faltaram as vacas. Responsabilizo-me em inteiro por tal afirmação. Mas sempre foi inegável que nunca tivemos as melhores vacas, e raramente foram "vacas gordas". Eis as razões para publicar uma qualquer cow (que de qualquer tem muito pouco), não fosse este blog, um conjunto de textos que só por si vão "mais além" e são algo mais que letras. Em Portugal, não raras vezes o tema ronda as vacas, as loucas e as que enlouquecem, as gordas ou as nossas. De facto, vivemos no país de grandes pastagens, cheios de frescura da terra seca do Alqueva e as pradarias rompendo entre o granito estupidamente grande de Trás os Montes. Qual o melhor sítio para criar gado, e hoje em dia aprecia-lo? A cidade... Vamos escolher Lisboa, lá as vacas têm protagonismo. Existem vacas e vacas, e se uma qualquer cow, é por estas bandas, apenas e só mais uma cow, existem vacas que davam geito, especialmente as douradas, arrebatadoramente acabadas a banho de dólares... Estas sim davam geito... E mesmo quando a teta europeia secar, só nos resta vender as cows que por aqui abundam (e muitas já se vendem... Desculpem! Apenas se compram!). Certamente estás tu leitor, contente de termos uma cow destas... Desculpa-me, é que a cow não é nossa, é da Cow Parade de Chicago. E enquanto por cá só ficam as vacas magras ou as que compram sem se venderem, entretem-te a vê-las em Lisboa, as que ficam quietas, e as que desfilam... Fiquem bem
Terça-feira, Maio 30, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:46 PM
Não. De facto não é para todos perceberem. Mas quatro dos "Mais além" saberão com certeza. E eu não poderia deixar passar em claro tudo aquilo, num momento algo... Fantasmagórico. Um abraço pa vocês
Domingo, Maio 28, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:30 PM
Os Fantasmas… Há quanto tempo não iniciava algo com este sossego. Os Fantasmas… São pedaços de coisas, talvez de nós já, mas não mais. Apenas pedaços de difícil compreensão, afinal as coisas nasceram para estar em unidade, quem fracciona é o Homem. O contentamento faz mal a estas coisas do “sobrenatural real”, por isso a sabedoria de se contentar com pedaços é mais que útil, é prova de humildade. Mas eu não quero pedaços das coisas para me contentar, gosto de as perceber, ir em busca dos porquês, estar além, não ficar pela crítica ou incompreensão, própria não dos que se acham felizes nem dos que se acham demasiados distantes destas coisas, própria sim de todos aqueles que não vão á procura, nem conseguem, desvalorizam até, convencendo-se que isso não é importante. Um exemplo será a cobardia, que sendo um fantasma, inibe o próprio cobarde a perceber e ir à procura do que é ser cobarde. Tornando-se assim um cobarde ignorante. Estes pedaços, que há medida que passa o tempo, e a que velocidade passa o tempo, me vou apercebendo, ser desgosto de muitos, dias de mal disposição para outros, e por fim, e mais importante que tudo, rasgos de criatividade, desde artística a introspectiva, para alguns, nos quais me incluo, embora longe da genialidade, essa nunca estará ao meu alcance. De facto, raros os que encaram os pedaços assim, seria tão mais fácil despreza-los, não pensar sobre eles, não ser consciente, até porque não só é mais cómodo, como mais fácil. Depois existem alguns, que se encontram “Mais além”, que criam analogias em que revêem e percebem os porquês de tanta coisa, ficando sempre tanta mais coisa por perceber. Como seria terrível para os inconscientes, ganharem consciência. A consciência certamente pesar-lhes-ia. Depois existem aqueles que se encontram “Mais além” que defendem uma ideia custe o que custar, acreditam, mexem-se, empenham-se, e são crucificados. E como é tão mais fácil ser “amigo” de toda a gente num sorriso ilusório… Depois existem aqueles que estão “Mais além” e que preferem uma vitória moral, a uma derrota falaciosa, sempre se mantêm as cadeiras na mesma, não vá haver incómodos. Depois existem aqueles, os “Mais além”, chamam-lhes utópicos, excelente forma protagonizada pelos medíocres para semear o mesmo trigo, ano após ano, afinal é deste que todos comem. Os “Mais além” passam pela fome da esperança, aquela que não é relevante porque nunca acontece como se quer, pelo menos aos “Mais além”. Razões? É simples, os “Mais além” sonham e estão sempre em diáspora pelo novo, pelo melhor, pelo progresso e pela felicidade em si mesmos, os “Outros”, bem esses nunca chegaram mais além, e mesmo onde estão não procuram nada, limitam-se a por os paus na estrada dos que vão mais além na diáspora do novo, melhor, do ainda mais além. Os “Outros” têm medo do que vem ali ao fundo. Os “Mais além” vêm de mais. Os “Mais além” nunca se conformaram, e poucas vezes desistiram, os “Mais além” disseram sempre as verdades, custem o que custarem, dando a cara, os “Mais além” acreditam em três só coisas: chegar mais à frente, ser honrado e ter orgulho. Esta é a história dos “Mais além”.
Perdoem-me o texto algo sectário, entendam apenas como algo que defendo, e acima de tudo, algo de que me orgulho fazer parte, ser o suficientemente “Mais além” para escrever sobre isto, sem o fazer por necessidade de todas as noites dormir bem, como tantos “Outros” não fazem/não dormem. Faço-o por gosto. Fiquem bem, e perdoe-me igualmente quem não concordar com o gesto decente, um abraço para ti, o meu amigo e colega “Orgulhosamente Ricardo Mesquita” a quem muito especialmente dedico “A história dos Mais além”.
Hoje na televisão, algures entre muitas babuseiras sempre ditas no "Eixo do Mal", programa da Sic notícias, onde raramente me encontro em consonância, não gosto de oposições destructivas, encontrei uma expressão, essa sim, absolutamente deliciosa.
"O fim da crise nos processos judiciais varia entre os que prescrevem e os que não escrevem."
Sábado, Maio 27, 2006, posted by Pedro Carvalho at 11:00 AM
Tenho 18 anos. Sempre gostei de futebol, lembro-me dos anos 90 de Manchester, lembro-me da Juve de Paulo Sousa, lembro-me do Barça de Ronaldo e mais dez grandes jogadores, sou do tempo dos galáticos de Madrid (ainda com Hierro), vi uma das melhores seleções brasileiras de sempre (a actual), lembro-me do jogos como a final Manchester United-Bayern Munique ou Real-Madrid-Borussia de Dortmund, no meio de tantas outras coisas como é natural. No meio de tudo isto, duas coisas entristecem-me. Nunca ter visto o Maradona em directo (coisas da idade... ele acabou la para 92 talvez), e a hegemonia do dinheiro sobre o amor à camisola. Sou sportinguista, como quase todos devem saber, e acreditem, fiquei feliz por ver o Rui Costa de regresso ao Benfica rejeitando os petrodólares do Quatar. Hoje todos nós temos de ser profissionais, mas será que Ballack, Essien ou Crespo, não eram já muito bem pagos? O Chelsea e as suas "mafiosas libras", hoje vingam sobre tudo, deixou de existir os jogadores-símbolo, até mesmo Gerrard, Henry, Nedved ou outros estão em risco de o deixarem de ser. Certamente estarão surpreendidos por não ter colocado neste lote ninguem do Real de Madrid, mas a razão é que no Real já não existe espírito ou mística há muito tempo. Mas mais surpreendidos ficaram ao não ver na mesma lista o mítico Shev. Pois, parece que Shev vai sair deste lote de jogadores-símbolos, defenição que tendo em conta o seu historial de dedicação ao Milan lhe assentava que nem uma luva. «Saio por motivos familiares. Agradeço à societá por tudo que me deu. Não se trata de um problema de relações entre nós nem uma questão económica», avançou o ucraniano. Já o dirigente denunciou que Shevchenko deverá representar o Chelsea nas próximas temporadas. «É a vitória da língua inglesa sobre a italiana. Tentei convencê-lo a ficar até um minuto antes de virmos para esta conferência de imprensa. É certamente a separação mais dolorosa desde que cheguei ao Milan. Agora iniciaremos a negociação com o Chelsea e não será simples», afirmou. O futebol perde o choque de orgulhos, os jogadores-símbolos, o amor à camisola. O futebol perde a paixão. A paixão já se vende por milhões, até nos "Teatros dos Sonhos". O futebol perde, e perde-se com tudo isto. Mas vêm aí o Mundial, o único momento, de quatro em quatro anos, em que os jogadores sentem a camisola, isto se não se cair nas naturalizações exacerbadas. Fiquem bem
Quinta-feira, Maio 25, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 11:56 PM
Há um ano atrás o Liverpool ganhava a Liga dos Campeões. 25 de Maio tornava-se assim inesquecível para os ingleses. Mas por cá, um grupo de jovens também não esquecerão esta data. A 25 de Maio de 2005, aquilo que era ainda um sonho, dava o primeiro passo a caminho da realidade. Uma realidade difícil, ainda que honrosa. Uma realidade efémera, ainda que dure para sempre. Uma realidade com um final não pretendido, ainda que forjado. Enfim, já passou um ano, mas muita coisa se mantém... Há um ano atrás nascia a Lista S. E esta é a minha homenagem...
Eis as anotações (dignas deste blog) no caderno de hoje:
"Nunca perdi um amigo na primeira oportunidade que ele me deu, e nestes raros casos, ele deu-me sempre uma segunda oportunidade."
"Hoje vi um carro de um colega meu, olhei-lhe a matrícula de forma despreocupada e assombrei-me! Já lá vão quase dois anos, lembro-me de o ver pela primeira vez a brilhar. Hoje estava sujo... Como o tempo passa..."
E nada mais vos deixo, com a certeza que, já isto, dá pensamentos suficientes. Fiquem bem
Terça-feira, Maio 23, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:30 PM
Há dias assim... Há semanas assim... Há tempos assim... Não sei explicar, nem sei se vos quero explicar, não sei se dá para explicar. Estou farto disto tudo, ou farto, apenas e só de não ter tempo, farto dos dias terem todos 24 horas com metade dia, metade noite, na metade do metade dia sempre metade adormecido, farto, enfim, sei lá! Sei lá não! Não sei mesmo! Mas isto tem sentido? Epa, não. Mas isto tem conteúdo? Epa, não. Acha-se alguma lógica, alguma relação, algum motivo para toda esta confusão, delírio, farto cansaço, ou "o que lhe quiserem chamar"? Epa, não. Motivos, razões, dias bem ou mal passados, histórias, lutas, opiniões, arrependimentos, objectos, frases, beijos, imagens, memórias, canções, festas, olhares, pedidos, desejos, sonhos, mentiras, verdades, novidades, entraves, vontades... Tudo numa ordem desordenada, assim é que se quer sabiam? Não sabiam? Tambem não, e já me fartei de saber esta "desordem natural das coisas". As coisas, tudo, e o resto se quiserem. Por mim tudo bem. Mas hoje? Epa, hoje não. Hoje nada. Talvez disto não me farte assim tanto. Hoje nada.
Domingo, Maio 21, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:07 PM
Monstros, bichos, fantasmas, bonecos, bem o raios que os parta! O que é certo é que produziram uma revolução de mentalidades e parecem ter dado um analgésico na morte lenta que se ia adivinhando no fastival europeu. Estes... Estranhos diria eu, gritaram, tocaram "Hard Rock Aleluia" (e com uma musica que considero boa) guardaram o melhor da noite para o fim. Nada de festejos de vitória, antes ir para o palco a beber pepsi e sair a beber whisky da garrafa. Chamam-se Lordi mas beberam que nem uns lordes! Parabens à Filândia, só um país tão aberto de mentalidades poderia avançar com algo deste género. Portugal, nem à final chegou, não merecia. Eu, votaria na Suécia. Ganhou uma revolução de mentalidades já muito badalada por fora mas que teimava a não penetrar nas galas musicais... Fiquem bem
Tenho ouvido coisas estranhas no mundo do futebol. Primeiro ver o Carlos Martins em risco de sair do SCP, depois ver o R.Costa na selecção, não encontrar o Seedorf ou o Samuel nas convocatórias dos seus países e agora... Bem e agora o Benfica bateu aos pontos todas estas novidades, desde ontem, Fernando Santos é o primeiro humano à face da terra a enfiar o barrete aos teus grandes do futebol português. Não é que isto seja um fantasma, pelo menos meu! Naaaaa!!! Até sou Sportinguista não é verdade? Mas que o homem tem talento para parecer bom treinador, isso tem... Fiquem bem
Terça-feira, Maio 16, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:50 PM
Hoje na minha aula de História, enquanto desfolhava o livro, tentando descortinar o tipo de aula que iria presenciar, li um parágrafo que me pareceu extraordináriamente interessante, quer pela actualidade, quer pela total concordância que capta da minha pessoa. Muito actual, o tema prende-se com a situação do exercício de cidadania que de forma mais ou menos (in)correcta se pratica na Europa e no mundo. Se para alguns será novidade a falta de coerência e assiduídade, por parte da população em geral e dos jovens em particular, em qualquer debate sobre qualquer assunto como o trabalho, a juventude, o futuro ou qualquer outro, para gente mais atenta nem tanto, pois é constatação prática do dia a dia. No parágrafo que li e cito posteriormente, descreve-se um quadro negro da forma como a sociedade encara a política, e em ultima análise, a própria Democracia, marcada por sérios danos que alguns elementos menos aptos e de elevada estirpe, no que apenas e só ao lugar ocupado diz respeito, ocupam. Passando ao paragrafo poderia ler-se "Nas actuais democracias ocidentais, os partidos são mais do que locais de reflexão e dabate, são empresas ou aparelhos destinados à conquista do poder político. A ideologia cede lugar ao utilitarismo. Os militantes partidários já não se destinguem pela força das suas convicções morais. Espera-se que sejam obdientes, de confiança e tecnicamente preparados para prrencherem os cargos oficiais no partido, as listas de candidatos aos orgãos do governo local, regional ou nacional, as posições de confiança nos aparelhos político e administrativo do Estado e nas empresas públicas e semipúblicas. A militância política converte-se, assim, em carreira.". Posto isto, e fazendo das palavras do autor, minhas palavras, depreendo um sentido de desilusão e certo cansaço da generalidade da sociedade civil, no que diz respeito à sua participação cívica, e sobretudo e mais sintomáticamente, depreendo também um sentimento generalizado do "Deixa andar, isto é dar tacho a pançudos" que subverte o príncipio democrático, e sobretudo ceifa qualquer vontade de criar as instituições e estruturas necessárias ao exercísio, na minha opinião fundamental, daquilo que podemos chamar o "direito de sonhar outra coisa", política, ideologica e moralmente diferente. Por tudo isto, e não profetizando qualquer desgraça, defendo a Democracia, mas sobretudo defendo a reformulação das estruturas partidárias que não passando pelos estatutos, devidamente elaborados e de acordo com os príncipios constitucionais, passará pela mudança de mentalidades da classe, infelizmente chamada de política, quero com isto dizer, ser absolutamente contra qualquer esboço de "político de profissão" entendendo que a política é um serviço nobre que é preciso honrar e não banalizar, e não uma carreira ou qualquer meio de promoção pessoal visando o mínimo esforço. A tudo isto devo acrescentar por último, não estar filiado em qualquer juventude partidária, pelo simples facto de não me sentir disponível para contribuir da forma mais correcta que entendo que a Democracia necessita, e não ter perfil para ser enquadrado numa massa diversificada, mas sempre massa, de opiniões. Por tudo isto, eis o meu contributo exercendo opinião e cidadania, enquanto o desencanto político é um fantasma da minha geração. Fiquem bem
Segunda-feira, Maio 15, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:30 PM
O Ricardo Costa!?!?? Ter como segundo numero 10 o Hugo Viana?!?!? E querem ser campeões do mundo e dizer que têm direito de sonhar com a vitória!?!? De facto, estamos destinados a maus mundiais... O peso de 66', 40 anos depois ainda faz de sombra luminosa, que não ilumina a cabeça do Filipão. Bem, espero bem enganar-me, mas receio que no final do mundial, cá estarei a dizer, "daqui a 4 anos à mais...". E se assim for, lá terei de me entreter a torcer pela minha selecção de todos os mundiais, a Argentina. Que a vossa cabeça comece a pensar naquele espetáculo, por vezes histórico, porque após o final da Champions, os dados estão lançados... Fiquem bem
Quinta-feira, Maio 11, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:24 PM
A procura de tudo, Os valores, o amor, as ideias, O ser para alem do sobreviver, Tudo, é apenas ser Homem. Não lhe reconheço qualquer significado cientifico, Não lhe reconheço qualquer crença, Não lhe reconheço qualquer tradição, Reconheço apenas a liberdade de sermos felizes.
A ciência, crença, a cultura, São tudo produções humanas, A criação nunca explicará o criador.
Por isso aborrece-me a ciência, Não sou crente, Questiono os excessos da cultura, Prefiro ser Homem. O resto que venha por acréscimo, Como toda a criação.
Acredito no que escrevo, Como acredito na mudança. Como acredito na queda dos impérios, na mudança! No fim do dinheiro, na sociedade igual, Na mudança! No fim da exploração e da guerra, por um dia que seja… Na mudança, no sermos apenas Homens. O resto é apêndice!
Sou Homem, procuro e questiono-me. Sou Homem, não tenho certezas.
Quarta-feira, Maio 10, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:54 PM
Já não é a primeira nem a segunda vez, começou a ser recorrente... Sejemos directos, coisa que eles não são, o anonimato é um fantasma a abater! Lembro-me claramente de um texto de um grande amigo meu num blog, o Rodrigo Escapa, algures num "raciocínio", mais ou menos delirante mas sempre com um toque de classe bastante apreciável, ora sarcástico, ora bastante inteligente. Naquele "raciocínio" dizia-se algo que não posso precisar ao ponto de transcrever, mas transpirava uma sensação que nos levaria a pensar que muita gente não tem coragem de dar a cara, mas afia muito os dentes no momento da crítica. Existe por estas bandas muita gente que nunca escreveu uma linha, mas gostaria de o fazer, e muito... Não só esse meu amigo, assim como eu, assim como o meu colega e sobretudo amigo e companheiro de algumas luta, sobretudo ideológicas e concepcionais do mundo, Ricardo Mesquita, tu o leitor, um grupo de pessoas, todos temos algo de bom que por estas bandas é sempre visto como um ponto a abater. Por estas bandas a imaginação é apenas construtiva no acto de encontrar maneira de destruir. Mas até nesse ponto a imaginação não vai alem de ataques anónimos pouco construtivos, fácilmente refutáveis e sobretudo cobardes. Por vezes são de baixo nível e até revoltados. Casos como debates políticos, textos de opinião e a tão badalada falta de luz são alguns casos de anonimato. O anonimato será sempre por defenição um par de coisas... Uma cobardia desonesta e um sinal de fraqueza por parte de quem a comete. Porque por estas bandas valores como a verdade, a honestidade, a coragem, o carácter ou a seriedade são frequentemente substituídos pela ignorância, cobardia ou rancor, o anonimato será sempre um fantasma. Fiquem bem
Segunda-feira, Maio 08, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 11:26 PM
Ponto 1: Já lá vai algum tempo desde o meu último post. E ainda mais tempo desde o meu último post “digno” do Fantasmas… Mas existe um propósito para isso. A ausência! E não me refiro à minha ausência neste blog, mas sim à ausência de fantasmas na minha vida. O que não tem sido mau.
Ponto 2: Mudando de assunto, a partir de agora estou de volta aos “temas de putalhada”. Assim sendo, eu, “uma pessoa sem carácter”, coopero de novo com o meu colega que é “uma vítima revoltada” e também “uma pessoa sem carácter”. Felizmente nunca tivemos boleias de ninguém, mas infelizmente há quem não possa dizer o mesmo.
Ponto 3: Ainda com o “Ponto 2” na mente, devo referir que o pseudo caos do "Que haja mais "Luz"..." foi bastante engraçado. Para ser honesto nada tenho contra o “sujeito que se identificou sem se identificar”, a não ser o facto de ter demonstrado uma clara falta de destemor e um desrespeito para com os demais participantes (activos ou passivos) deste blog. Mas como estes dois pontos que referi são daqueles que eu considero como fundamentais…
Ponto 4: Devo esclarecer que voltei a mexer na merda (ou no “merdas”), porque não podia deixar passar tal situação e porque me apeteceu!
Ponto 5 e Último: Espero que o nível não volte a baixar até porque estou habituado “ao mais alto nível” e não ao oposto.
Domingo, Maio 07, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:31 PM
Bem afinal este ano, ao meu sporting, não se repetiu a história triste da época passada. Repetiu-se só metade, a metade de não ser campeões mesmo no finalzinho do campeonato, enfim... Pelo menos não falhamos tudo! Fiquem bem
Sexta-feira, Maio 05, 2006, posted by Pedro Carvalho at 5:51 PM
Era uma vez… Bem assim não, afinal esta história nem acontece só uma vez, acontece tantas vezes… Já à muito, muito tempo, vivia numa das aldeias deste país, daquelas que já não existem, já não há a tasca com o copo de tinto a 2 tostões, nem a mocidade a correr aí pelos campos, nem o leiteiro a passar à porta das casas ou o bêbado lá da terra de ouvido no golo do Eusébio… Já não há, apenas ainda subsiste a missa ao Domingo, naquele perdido Portugal, eterno, rural, ao sabor das estações, típico Portugal. E no meio da inconsciência e ignorância, sempre houve quem assim fosse feliz. Viveu assim toda a vida, sem a saber conhecer doutra maneira, o velho do lagar que por não saber ler, fazer as somas dos “Alqueires” de cabeça e amar o seu olival mais que tudo, se tornou o único produtor de azeite lá da terra. Ao velho, que já não tinha amigo que se lembrasse dele novo, não se podia falar mal do seu azeite e não se podia negar o bom do tinto quando o seu Belenenses jogava ao Domingo. No entanto, era a personagem mais típica e curiosa da terra. Passaram-se chuvadas e dias de calor naqueles olivais, o azeite sempre no ponto, diziam todos eles, principalmente aqueles que na apanha recebiam umas coroas, o velho com tristeza já não podia varejar as árvores. Passaram umas épocas, o “Eusébio foi lá para o União de Tomar arrumar as botas” e o seu Belenenses já nem nos primeiros ficava. Passaram-se umas guerras e “aqueles que sabem, falando de uma forma que nós, que não sabemos ler não podemos perceber”, fizeram aquilo do 25 de Abril. Tudo isto passou pelo Velho do Lagar, e o que mais lhe fazia impressão, ainda era quando o Belenenses perdia em casa. Até um dia… E não julguem que esse foi o dia em que o Velho partiu, não tinha razões, andava por aqui bem, o pior que lhe podiam fazer era “vir um doido a gritar PREC” e a dizer para ele ocupar a casa dos condes da terra porque dormir com as oliveiras não era vida. Aí sim, o Velho não gostava! Ahhh… Aquelas oliveiras são a vida para ele. Até um dia…Até um dia em que “Os senhores que emigraram e estudaram lá por fora sem ir ao Ultramar” lhe disseram que ele agora era europeu. Foi-lhe indiferente… Quando chegou “lá aquele da Europa que vem cá controlar a qualidade da lavoura”, lhe pegou no azeite e lhe disse que o azeite de sempre, o azeite daquela terra, o azeite da sua vida, o amigo que nunca o enganou, a mulher que sempre lhe pôs o pão na mesa ao jantar, o sonho de alguém a quem “os senhores do Salazar” lhe roubaram todos os sonhos, esse, esse a quem da flor ao lagar, vezes sem conta em anos perdidos, lhe preencheu o curto espaço que vai dos trapos de parteira à cova rasa, esse azeite, era, é, e continuaria a ser enquanto se não pusessem uns pós manhosos, um azeite ácido “que não cumpria com as normas comunitárias”. Veio subitamente “um engenheiro” calcular uma vida, dizer-lhe que a sua vida não cumpria a função, que não se podia vender, que seria pretexto para um subsídio, que seria o fim do Velho, que nada mais valeria a pena, que a vida tinha sido um engano, que tudo o que amou foi sempre um ácido que no trago não amargava e que o agora amargou para sempre. O velho morreu, e nem foi preciso chegar o primeiro subsídio. Ate hoje, e se o “Padre Antunes” tiver razão, o Velho do Lagar estará no céu a recordar, nunca mais se soube.Nunca mais se soube, se o engano e o Falso Azeite, concederam ao Velho a alegria de uma vida, ou a amargura da verdade. Nunca mais se soube, e a cada um de nós ficará por saber, e descobrir. Fiquem bem
Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas! Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância — Eterna verdade vazia e perfeita! Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflete! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Terça-feira, Maio 02, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:57 PM
A olhar o mar de longe, parado, despreocupado, pelo menos o suficiente para afastar de mim tudo o que me obrigasse a pensar, não cheguei a conclusões. Nada de estranho, não seria esse o objectivo do momento, até porque nem tinha objectivo, fiquei para ali, fiquei bem para ali. As sensações pousavam em mim de forma fluida, não paravam sequer, corriam livres num corpo alheado do interior e concentrado no que o envolvia. Foi diferente, quantas vezes estamos em nós, para nós e para eles Fantasmas, sem perceber o que nos rodeia… O que se passa à volta? “Não sei, não dei por isso, mas porquê?” Porque por vezes é importante “nem pensar nisso”, afinal de contas estamos a perder a tranquilidade e a paz de espírito que eu hoje captei. Será que afinal não cheguei a conclusões? Se de facto, “A vida é um jogo.”, então acabei memo por chegar a uma conclusão… Qual o truque deste jogo? Bem, talvez seja não saber jogar porque enquanto não soubermos jogar descobrimos novas regras, novos níveis e objectivos, o jogo não é monótono, e sobretudo, não importa assim tanto perder quando não se sabe jogar. E se perder e ganhar é jogo, que a vida seja ganhar, porque os fantasmas nascem das derrotas. Fiquem bem
Sexta-feira, Abril 28, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:11 PM
Porque hoje vi o maior Fantasma da minha vida, tão alto como nunca, perante mim, tão equilibrado e forte na sua cobardia. Porque hoje, nada pude fazer, incapaz na minha insignificância. Que assim seja, dignamente insignificante. Haja mais "Luz" quando tudo o resto se apaga, porque hoje, eu perdi.
Quarta-feira, Abril 26, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:09 PM
Bem embora não possa, por problemas técnicos mostrar as imagens, posso-vos garantir que o fantasma do FM foi ultrapassado, isto porque consegui ganhar o campeonato inglês com 95 pontos e ainda papei a UEFA, não foi perfeito, mas deu para aniquilar fantasmas. Isto num dia em que graças a um sonho passei todo o dia mal disposto, e fiquei a "matutar" em velhos fantasmas, o post, esse ficará certamente para breve, e só não sai hoje porque o tempo escasseia e um fantasma na fase da digestão sai quase sempre melhor escrito. Fiquem bem
Segunda-feira, Abril 24, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:13 PM
Amanha é o dia da liberdade, pelo menos da liberdade para todos os portugueses que estão bem assim, porque haverá sempre os da velha guarda tambem. Aproveito assim para vos alertar para o dia, e já agora aconselhar para umas boas reflexões, umas fantasmagóricas, outras não, a liberdade nunca será um fantasma mas a falta dela sim. Fiquem bem
Eu já fiz tacticas, já saquei as melhores tacticas da net, compro os melhores jogadores, faço treinos de mil e uma maneiras e nada! Não consigo, chego a repetir o mesmo jogo cinco vezes e ou perco ou empato! O computador conspira contra mim! A equipa para onde eu for é amaldiçoada! Ja cheguei até a estar num clube sem perder à bastantes jornadas, estava a cumprir os objectivos, e eles despedem-me! Hoje, estou na fase degradante e quase crente de pensar que ao desinstalar e voltar a instalar volte a colecionar os titulos que me habituei a conquistar durante todos os FM's e CM's que me passaram pelas mãos. Porque até neste já fui bicampeao europeu, e agora luto para não descer ou então sou despedido! Eis o meu novo fantasma, voltar a ganhar tudo no FM2006. Fiquem bem
Sexta-feira, Abril 21, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:26 PM
Eis a frase do dia, suficiente e ao mesmo tempo tão extensa em conteúdo, que por si só é um post muito bom para o "Fantasmas do Passado". Ei-la: "Eu desconfio de tudo o que seja demasiado perfeito." Por Anthony. Fiquem bem
Quarta-feira, Abril 19, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:55 PM
No dicionário de Português, qualquer um de nós, pode retirar os seguintes significados que passo a citar e posteriormente explicar.
Fantasmas: do Latim phantasma ou Grego phántasma, visão imagem ilusória; espectro; avantesma; avejão; visão aterradora; sombra apavorante; alma do outro mundo; quimera; fantasia. Passado: o que se fez ou disse anteriormente; o tempo que passou; (no plural ) os antepassados.
Depois desta definição, quem não viu fantasmas, ou quem não os está sempre a ver? É que na verdade, ninguém me diga que não apanha com certas avantesmas pelo caminho, ou que não tropeça em visões, mais ou menos aterradoras, mas que talvez, dentro de nós nos deixem uma sombra apavorante dum presente ou passado que enleado por uma quimera ou fantasia nos fez mudar, dar um passo, e ter medo de dar outro, e querer esquecer, e querer lembrar, e querer partir, e querer ficar… Indecisões do que se disse ou fez anteriormente ou se preferirem, porque cada um tem os seus fantasmas, indecisões do que ficou por dizer e fazer, num tempo que já passou e não volta, um tempo que feliz ou infelizmente, na dúvida, e tão poucas vezes na certeza, não volta mais, a gosto ou a contra gosto da saudade. Porque os Fantasmas do Passado estão dentro de nós não sendo nós próprios, e não se dominam, esquecem ou compreendem quando se quer… Será mais fácil agora perceber o nome? Fiquem bem
Terça-feira, Abril 18, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:41 PM
Hoje voltámos à escola, pelo menos quem a tem, e no meu caso foi o regresso aos fantasmas. Vi as situações, as pessoas, e os objectos errados, nos sitios já com tanto para contar, acho até que já contam de mais... O clima parece estar cada vez mais carregado e eu simplesmente tento abstrair-me. A routina estupida está de volta. E alguns fantasmas tambem. Fiquem bem
Segunda-feira, Abril 17, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:29 PM
As vezes ponho-me a pensar, e no mundo que nos rodeia, a vida de Fantasma não é fácil. Pelo mundo estão-se a explorar crianças na Tailândia, estão os Chineses atolados de areia, estão grande parte dos africanos a ver o que se come com menos de um euro por dia, estão os búlgaros a afogar-se no Danúbio, estão os refugiados em todo o mundo a fugir pelas mais diversas razões, está um palestiniano a rebentar e meia dúzia de israelitas a jurar vingança, estão as milícias da Colômbia a dizimar aldeias para dominar os terrenos da coca, estão os brasileiros nas favelas à espera de uma rusga policial, está o Iraque numa guerra civil, está um talibã escondido na montanha a fazer pontaria a um militar inglês que foi roubar umas gramas de ópio a um terreno de um pobre camponês que foi “arrear” na mulher, as tradições são para cumprir, tanto estas como aquelas de pregar filipinos à cruz, pelo menos será isto que pensam os médicos no dia a seguir quando vêm as urgências carregadas de filipinos com buracos nas mãos e pés e com parte das costas deixada aí nalgum canto. Existem também uns quantos canadianos na caça da foca à paulada e uns líricos que querem mudar tudo isto. E vendo isto assim, existem tantos fantasmas, e infelizmente, não param de trabalhar. A vida de Fantasma é dura, e a de Fantasma internacional parece que ainda mais. Fiquem bem
Domingo, Abril 16, 2006, posted by Pedro Carvalho at 11:01 PM
Por vezes, ao acordar, ao deitar, ao viver aí numa esquina, café, cantinho ou memória nasce, renasce e brota em força a duvida, a confusão. Foi sentimento que já muitas vezes me percorreu e do qual, pela primeira vez, me sirvo como porto para mais uma “viagem ao meu sub mundo fantasmagórico”. Naqueles dias que correm pior, e eu torno-me indeciso sobre o caminho que tenho escolhido surgem duvidas. Estarei eu a agir da melhor forma? O que está a acontecer à minha volta? Voltar atrás? Que fazer quando sentimos que estamos errados? Enfim, um conjunto de perguntas sem resposta que nos fazem duvidar. Colocar em duvida é um sinal de inteligência, recear e recusar inverter o nosso rumo é algo que me recuso a fazer. Por vezes erro, erro eu, erramos nós, mas será muito mais importante remediar ou assumir os nossos erros do que conta-los durante a vida sem fazer nada para que não se repitam! E quando um rumo está em duvida, o arrependimento espreita e os Fantasmas do Passado, esses alimentam-se de nós e parecem tão nítidos, fazem pensar que falhei, que passei ao lado, que hoje estou derrotado. As vezes é apenas uma leve e ténue impressão, outras vezes convenço-me ainda hoje que por vezes, sim, eu perdi mesmo. O contrário também aconteceu, ou seja, existem aqueles momentos em que um acto, um reflectir ligeiro nos leva a pensar que erradicamos e exorcizamos por fim aquele Fantasma. Puro engano, e posterior confusão e mais, mais duvidas… Sente-a quem anda nestas vidas, a confusão de ter Fantasmas.
Solidariamente dedicado a todos aqueles que pensam ter erradicado Fantasmas do Passado.
A minha ou a nossa festa, depois de tudo acho que pouco interessou porque de facto sem voçês não seria festa. Por tudo o que foi dito, vivido e sobretudo pela presença em si, até daqueles que com algum esforço se deslocaram ao "Bixo" para dar conta da sua lembrança, um grande obrigado! Toda a festa decorreu da melhor forma, foi de facto excepcional e acabou por dar para esquecer fantasmas, pelo menos naquela noite! Fiquem bem e mais uma vez obrigado
Tudo acabou há cerca de cinco meses. Desde 30 de Novembro que não toco no assunto, mas ontem revi umas fotos e veio-me aquele indecente sentimento de saudade. Bons velhos tempos disse eu. Eram tempos em que uma vontade unia determinado grupo de pessoas. Uma vontade que apesar de não ter desaparecido diminuiu à medida que os dias passaram. Relembro com saudade vários momentos. Os discursos do primeiro jantar, as emoções da primeira festa, a irreverência no auditório da secundária, a competência no mini-auditório do cine-teatro, os nervos na adac, o stress na preparação da campanha, a esperança durante a campanha, os cigarros na contagem dos votos, o desespero quando confrontados com situações menos legais, a certeza que éramos de facto os melhores e a vitoria moral que ainda hoje temos. Se a 30 de Novembro restavam duvidas que apesar de tudo tínhamos “ganho”, hoje estão mais que dissipadas.
Mas nada mais podíamos fazer a não ser recordar, como faço agora. Mas voltando às vitórias, todos os membros da S ganharam mais que uma mera vitória moral. Ganhámos amizades fortes, puras e resistentes. Ganhamos um entendimento quase perfeito, um sentimento de grupo fenomenal, coisa que quem supostamente ganhou não tem. Aqueles que supostamente saíram derrotados graças a uma miúda com setenta personalidades múltiplas continuam unidos, enquanto aqueles que supostamente venceram não se entendem, existindo mesmo quem queira bater com a porta. Porta essa que é sempre ocupada por cartazes que anunciam reuniões que são tão secretas que até parecem nem existir. É a ironia do destino. E como o destino tem sentido de humor. Mas isto já não me interessa, interessa-me sim recordar alguns dos míticos momentos que todos os membros da S passaram. Interessa-me apenas viver.
Segunda-feira, Abril 10, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:39 PM
Eis a imagem que captei em Barcelona. Imagem de uma profundidade a toda a prova, especial na temática deste blog, enfim, porque é assim que eles aparecem...
Domingo, Abril 09, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:47 PM
Eis a estória fantasmagórica da minha vida, e isto porque ainda não consegui explicar como tudo aquilo aconteceu. Tornou-se uma estória (com "e" porque não passa de um conto meu e não de uma História universal). Antes de partir na minha viagem até terras catalãs, como todos os meus companheiros, preparei a minha mala. Acontece que a minha bagagem era constituída por uma mala enorme a minha mochila de objectos pessoais e úteis, seriam os objectos “pau para toda a obra” que fazem sempre falta numa viagem de 17 horas. A mochila que levei para a viagem era a mala vermelha com a qual fiz o meu 11ºano e tinha dentro dela todos os elementos daquele ano lectivo (cadernos e livros). Todo aquele material eram já artefactos, porque na vida de um jovem um ano é uma vida, não que eu o desejasse, mas sim porque o tempo o conspira assim… Quando peguei em tudo, fiquei pesaroso, o tempo embora não mergulhando naquele ano, nem muito menos reflectindo naquela mochila tornou-se doce em recordações amargas, quase venenoso. Depois de desfolhar aquelas páginas e sentir-me perdido pelo tempo, fui o inútil incapaz de travar o tempo, e fui ainda o ser que estupidamente se quis desprender do presente, ainda hoje o não percebo porquê. Mas percebi como já antes tinha percebido que o tempo dá-nos as maiores lições. Eis a história daquela fotografia. Após a leitura de todas as doces linhas fornadas por cores quentes que me arrepiaram no frio da minha leitura tão distante encontrei-me e fechei tudo, mas antes, antes de ter a minha mochila completamente vazia, tinha uma carteira velha, como todas as carteiras velhas. Como todas? Não. Tinha uma fotografia antiga, não muito, o suficientemente antiga para a vida de um jovem. Não tinha dinheiro, é a coisa menos valiosa que temos na carteira mas é sempre aquilo que nos preocupa quando trocamos de carteira… Não tinha qualquer chave cartão ou papel. Estanquei perante algo enrugado e estaladiço de tão seco, eis a fotografia que por ser “a fotografia” tinha mais valor que qualquer outra coisa. Terá mesmo? Talvez resida nessa duvida a importância daquela fotografia. Tenho de ver aquela fotografia! Em linguagem fantasmagórica seria um encontro de terceiro grau, estúpido acidente de uma realidade que naquele ambiente me aparecia fantasiada. Quando olhei a fotografia, e olhei-a indeciso mas de frente, apareceu um borrão de tinta disperso, sim, a imagem de um fantasma em forma ondulada sem que se percebesse quem lá estava, ou seria mais correcto dizer quem lá esteve. Na foto como em tudo, talvez o tempo retire de nós algumas coisas especiais, e se assim não fosse, este blog fecharia. Aquela foto, aquele tempo que passou, que se perdeu e onde me tinha perdido, todo aquele longo instante acabara quando ao olhar para a fotografia vi um borrão, vi um fim, vi um fantasma se me é permitido a estupidez da frase, vi algo que me perturbou. Ainda hoje não sei como a foto se destruiu, assim como não sei como as coisas da minha vida por vezes se destroem. Os Fantasmas os Fantasmas… Sempre os Fantasmas, eu e Aquela foto. Fiquem bem
Talvez seja mais uma caricatura, mas esta, uma caricatura muçulmana. Será caso para invadir e destruir as embaixadas desses países muçulmanos pelo mundo fora? Não me parece, mas a uns quantos extremistas seria a solução. Enquanto uns vão pensando na guerra eu vou lendo este tipo de coisas. Fiquem bem
Sábado, Abril 08, 2006, posted by Pedro Carvalho at 4:08 PM
Eis a razão porque não me pronuncio acerca de Loret no "Fantasmas": Em loret os fantasmas são totalmente esquecidos, estão lá é certo, ao deitar e fechar os olhos talvez ate os consiga ver, mas a verdade é que lá, eles estão anestesiados, e sem dúvida, o grande problema é sempre o regresso...
Sexta-feira, Abril 07, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:31 PM
Ena... Que saudades... Saudades do quarto, saudades do ambiente asfixiante, saudades da teia de relações, saudades dos artefactos fantasmagóricos. À quanto tempo não estava para aqui a olhar de um lado para o outro, pelas ruas, cantinhos, espaços, enfim o peso dos fantasmas do passado, que tanto me dificulta respirar fundo por estas bandas. Mesmo assim, eu sou um pouco de "isto mesmo", sou fantasmas do passado, sou estas recordações destas ruas, sou este grande grupo de amigos fantásticos com quem fui para Espanha, sou este meu grande colega e sobretudo este meu grande amigo fantasmagórico com o qual tenho de ir beber um copo (ainda não me esqueci). Sou tudo isto. E voltei. Fiquem bem
Quinta-feira, Abril 06, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 8:35 PM
É meu costume sonhar… Acordado. Não digo que não sonhe enquanto durmo, mas pelo menos é raro lembrar-me do que sonho. No entanto, num destes dias aconteceu-me algo, no mínimo, engraçado. Acordei, e sabia que tinha sonhado, no entanto, não me lembrava do dito sonho. Mas à medida que fazia as coisas mais comuns, partes do sonho vinham-me à cabeça. Por exemplo, enquanto me encharcava em “Drakkar Noir” relembrei-me de uma parte bastante hilariante do sonho. Achei imensa piada ao facto de me virem à cabeça partes do sonho cada vez que fazia algo que se relacionasse com essas mesmas partes. Eram como pequenos flashbacks. E digo-vos, é uma bela forma de saber o que se sonha.
PS: Sim, eu sei que deve ser algum efeito secundário do visionamento abusivo de “LOST”!
Segunda-feira, Abril 03, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 8:19 PM
São quatro da manhã, e ele permanece acordado. Lá fora, um galo com o relógio adiantado vai cantando sozinho. A noite faz-se acompanhar de fantasmas e enquanto ele recorda a vida, o cigarro queima lentamente no cinzeiro, que quase transborda cinza. São assim as suas noites, passadas em claro a recordar um passado que teima em ser presente. No entanto, continua sem futuro. O cigarro já não arde, chegou ao filtro. Mas ele nem repara, continuando perdido no tempo. Tempo esse que vai passando sem que ele note. Finalmente, a mente regressa ao corpo. Faltam agora dez minutos para as cinco. Ele olha em redor, e a cortina mexe-se. Levanta-se da cadeira, onde repousa há seis horas, e fecha por completo a janela. A lua olha-o com desconfiança, enquanto um morcego dança com o poste de electricidade. Ele afasta-se. A noite está demasiado sombria. Olha novamente em seu redor e constata que o quarto está repleto de memórias. Avança até à prateleira de onde retira uma garrafa. Acende um cigarro e volta a sentar-se. É então que, entre umas passas no cigarro, afoga os seus fantasmas num copo de Gin. É este o seu antídoto. É este o seu truque para que quando acordar, possa viver sem problemas. Até que volte a sentar-se naquela cadeira, e recomece a recordar.
Domingo, Abril 02, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 10:07 PM
Demorou, mas a emissão está reposta. Eu sei que demorei uns dias a repor a emissão, mas também tenho estado a aproveitar estes dias para dar umas voltas. Ando armado em vadio é o que é... E ainda bem, porque tenho de aproveitar estes dias, já que daqui a duas semanas tenho de começar a bater com a cabeça num punhado de folhas. Foi o caminho que escolhi para exorcizar de vez determinado fantasma do passado. E este é o caminho certo para me tirar “daqui”. Por isso mesmo, esta noite vou aproveitar para sair outra vez, antes que o “lockdown” final comece.
Sexta-feira, Março 31, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:28 PM
Pois bem, lá vou eu rumar a Espanha, em busca de diversões, situações diversas e grandes dias, talvez uma semana para recordar para sempre. E sendo assim, a minha participação neste blog será nula até ao dia 8 de Abril. Hoje, dia da partida, sinto o desejo de partir, uma ansia, uma dúvida. Encontrarei novos fantasmas? Esquecerei-os? Como os encararei nesses dias que espero fantásticos? Sei lá! E sinceramente passa muito por aí a magia desta viajem, é uma fuga, uma enorme evasão. E por fim, um até breve. Continuem as vossas longas conversas com os vossos fantasmas, os meus por cá, e por lá se dividirão. Fiquem bem e até já
Quinta-feira, Março 30, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:13 PM
Tédio, hoje sinto um grande tédio… Não sei se quero isto ou aquilo, Ou se o devo querer ou esquecer, Se lutar por algo insignificante quando o dia acabar.
Um tédio de ser alguém normal. Numa vida normal, Mergulhado sobre questões e problemas. A vida! Afinal ela é isso, E isso é o Normal…
Tédio do que é normal, Não é bem disto ou de qualquer outra coisa, Será de qualquer nada que não me preenche, E será duma insignificância que nem compensa. Não vou correr por ela, sinto tédio…
Estou cansado, estou tão cansado…
Voltou a acabar um dia. Nasceu a noite que ainda ontem decorei, Igual. Serei eu um tédio, será ela um tédio para mim? Não vou pensar, não vale a pena. E dói.
Dói mais que qualquer tédio de ficar aqui. Por isso fico, sem sonhar com o dia de amanha. Viva ao tédio de não procurar, De não tentar, lutar e perder, Esperar e não acontecer.
Times have changed Our kids are getting worse They won't obey their parents They just want to fart and curse!
Should we blame the government? Or blame society? Or should we blame the images on TV?
NO! Blame Canada! Blame Canada! With all their beady little eyes and flapping heads so full of lies! Blame Canada! Blame Canada! We need to form a full assault!
It's Canada's fault! Don't blame me for my son, Stan. He saw the darn cartoon and now he's off to join the Klan.
And my boy, Eric, once had my picture on his shelf. But now when I see him he tells me to fuck myself.
WELL... Blame Canada! Blame Canada! It seems that everything's gone wrong since Canada came along. Blame Canada! Blame Canada! They're not even a real country anway.
My son could have been a doctor or a lawyer, it's true. Instead he burned up like a piggy on a barbecue. Should we blame the matches? Should we blame the fire? Or the doctors who allowed him to expire?
HECK NO! Blame Canada! Blame Canada! With all their hockey-hullabaloo, And that bitch Anne Murray too, Blame Canada! Shame on Canada, foooor...
The smut we must cut, The trash we must bash, The laughter and fun must all be undone! We must blame them and cause a fuss before somebody thinks of blaming uuuuuuuuuuus!
Segunda-feira, Março 27, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:52 PM
Estou indignado, hoje vi o ultimo episódio do "Mundo Meu" só para confirmar se de facto seria a primeira telenovela com um final triste. Enganei-me! A publicidade enganou-me! Afinal o caixão da publicidade era da "má" e a "boa", que realmente é boa sim senhor, não morreu, num milagre típico de ultimo episódio. Ou seja, perdi meia hora da minha tarde naquilo! A acrescentar a isto tenho a constante fraca qualidade do telejornal. De facto, neste canal só o futebol se consegue ver, mas não ouvir porque os comentários tambem são péssimos! Resumindo: a TVI é para burros ignorantes, e a ignorancia e o show barato serão sempre uns fantasmas deste país. Despeço-me com a frase: Farto de circo ando eu! Fiquem bem
Domingo, Março 26, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:36 PM
Pois é, tal como seria de esperar. Foi mesmo os fantasmas o ponto alto da noite. Ou melhor os vários pontos altos da noite. Vi almas penadas, ouvi falar delas, e fomos assim trocando fantasmas, uns com os outros, ora de forma saudável, ora de forma mais negra. No entanto, facto certo, é que eles andam mesmo por aí, e sempre a acrescentar factores e "estórias" novas, cheias de interesse fantasmagórico. ás vezes tenho a impressão que cada vez se agravam mais! Mas esta noite forneceu-me tambem uns elementos interessantes, e sim, refiro-me a parar e pensar um bocado no futuro próximo. Continuaram-me a perseguir esses fantasmas, continuam a ser fortes, e eu a combatê-los, a´s vezes de forma indiferente! Facto último, "second round- Quem ganha a chouriça?". A todos os intervenientes, um abraço
Sábado, Março 25, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 3:44 PM
Enquanto eu ganhava um presunto, outros haviam que ganhavam fantasmas… Só prova a teoria que eles andam aí. E que surgem inesperadamente. A sorte é que esta noite vai existir repelente que chegue!
Quinta-feira, Março 23, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:59 PM
Foi assim o meu dia carregado de Fantasmas do Passado, hoje, especialmente hoje, viajados dum presente longínquo para me abater, para baralhar, para confundir, para deixar de entender o que sinto, o que quero, o que vale e não vale a pena, onde me enganei. Fiquei triste, de facto, e muito concretamente vivi um dia triste. Ponto. Os Fantasmas tomaram conta de mim por momentos, viajei no tempo daquele Fantasma e perdi a noção do esforço, sacrifício, as partes boas e más do fantasma porque os fantasmas são por vezes saudade, são medo, são arrependimento, indefinição, são raiva, são ódio em alguns casos! O meu Fantasma de hoje foi sobretudo um reviver de momentos péssimos, revi erros passados, voltei a arrepender-me do que já antes me arrependera, voltei e viver o que já antes fugira a viver, voltei a encarar de lado o que encarei de frente, suspiros interiores de algum guerreiro que não cansou de lutar, dizer o que pensa onde não é conveniente faze-lo, mostrar o desagrado, e dizer perante mim, perante a minha visão, perante o que pensava, falhas-te… Falhaste Pedro. Se não fosse assim porquê os fantasmas? Os fantasmas do passado foram a jogo e ganharam, derrubaram-me por momentos, hoje no presente, com sentimentos passados, num confuso e pardo emaranhado de pensamentos, de contas, de visões, de momentos. Perdi. Hoje perdi. Este fantasma que é uma situação bem concreta, acabou por se materializar a meus olhos hoje. Ter sido só hoje de certa forma foi um golpe bastante rude. Mostrou-me e ensinou-me, o dia de hoje, que apostei de mais em algo ténue de mais, falhei a aposta e a jogada saiu-me dura porque ao longo dos tempos deixei de ser o jogador e entrei dentro do jogo, com a emoção proibida a qualquer grande jogador. No momento, cometi aquela que seria a minha posterior loucura de sentir, e isso deu-me alegria e tristeza, mas perdi. E hoje perdendo a aposta, mas sobretudo a crença, não em derrubar este Fantasma que nunca foi o meu objectivo, mas em que pudesse conviver com ele e em que ele afinal não se tivesse materializado, voltei ao tempo em que o Fantasma não existia e os seus intervenientes não o eram, voltei ao tempo em que eu não lidava com esse Fantasma. Naquela época, era feliz, mas a grande derrota foi recordar e não ser feliz nas recordações. O Fantasma foi mais forte que a própria história que depois de escrita nos parece imutável. Não é! Puro engano. Perdi no meio da sombra a percepção do que vale a pena. Senti que praticamente nada valia a pena porque é no que nos move que também nasce a desilusão. Senti um engano, um pesar ao olhar para trás. Por isso falhei, perdi na jogada em que apostei tão alto, não me arrependo apenas pelo facto de assim ter aprendido. Tenho também pena de como o Fantasma se materializou, sinto até a amarga dor de ele me ter passado de frente e ter atacado de lado, típico dos intervenientes talvez… Amanha será outro dia, e ele vai voltar, e eu, sem me agarrar à esperança de o ver desmoronar, a minha vida será sempre mais do que objectivos passados, irei vê-lo com pena, ali, a passar. Irei olhar e perceber que “Todo o mundo é composto de mudança…”, terei pena do tempo, mas serei mais feliz. Pombal, 23 de Março de 2006, uma data para aprender e não recordar.
Quarta-feira, Março 22, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:50 PM
Ultimamente tenho sentido de perto os fantasmas dos outros. Amigos, colegas, conhecidos. Percebi que este Blog tinha um conjunto de textos que nunca poderão servir de simples desabafos, estarão sempre condenados a ser textos espositivos dos nossos fantasmas mas sempre refletindo os fantasmas dos leitores, amigos, enfim aqueles que pensam nesses mesmos Fantasmas, e sem dúvida, cada um nos seus! Concluí á algum tempo que sou uma pessoa bastante dada a estas "companhias", ou por encontros imediatos de terceiro grau, ou por sonhos quebradiços, ou por pensamentos severos. "Não olhes para trás" ou "A vida é um jogo" são expressões que nortearam a minha vida de há uns tempos para trás. Trouxeram-me novos pontos de vista, novas formas de encarar obstáculos, ou a vida em si, se preferirem. Hoje sou um espelho fundo dos meus "Fantasmas" e ao mesmo tempo sou um "Reflector" dos mesmos, dos meus e talvez dos outros. Por vezes digo a alguem que me conta uma "estória" algo do género "Serão fantasmas?" ou "São os teus fantasmas...". Nunca o diria se não meditasse sobre os meus próprios fantasmas. Eles abriam uma nova dimensão no meu pensar e no meu agir diário e tornaram-me alguem diferente no acessório, lutando sempre por ser o mesmo no essencial! Por tudo isto os Fantasmas do Passado, tão presentes em certos momentos mudaram-me e a forma como os encarei tornaram-me alguem de que me orgulho, bastante mais conhecedor da vida, mais racional, mais resistente e aquele que terá sempre algo a dizer a um amigo. Fantasmas marotos... Só os meus? Não. Pensa nos teus e vê se não são tão contraditórios, confusos e complicados como os meus. Sente-os à tua maneira e sê feliz. Fiquem bem
Terça-feira, Março 21, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:26 PM
Uma pequena nota para afirmar que ontem vi o "Fantasmas" no motor de busca do sapo no mesmo dia em que igualámos o maior número de visitas deste Blog. Devo acrescentar que reparei que tivemos visitas dum dos maoires centro universitários dos E.U.A. Tivemos um novo texto publicado ontem, com vários comentários já postados e o Blog está em nítido crescimento, e isso é sem dúvida motivo de orgulho para nós e motivo de agradecimento. Continuem a visitar porque os Fantasmas do Passado não se esquecem, não se perdem, não se derrotam se não dia após dia, os Fantasmas são persistentes, cada um tem os seus, cada um os recorda nos seus dias, enfim... A cada passado os seus Fantasmas! Fiquem bem!
Segunda-feira, Março 20, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 10:32 PM
É certo que cada um tem os seus, mas os meus parecem ser mais persistentes que os outros. Porquê? Porque são meus. Os dos outros são dos outros, não me afectam de forma tão directa que os meus. Os meus continuam a perturbar-me… Cada vez que ouço Pedro Abrunhosa, perturbam-me. Cada vez que vejo determinadas fotografias, perturbam-me. Cada vez que se lembram de aparecer do nada (como verdadeiros fantasmas que são) perturbam-me. Eu até utilizo vários repelentes, mas ainda assim eles permanecem. E o que posso fazer? Baralhar e dar de novo. Mas como ultimamente só me calham duques e cenas tristes, por enquanto prefiro ficar com estas cartas e não ir a jogo. Talvez daqui a uns meses. Talvez até amanhã. Mas hoje não. Hoje deixo as cartas que tenho em cima da mesa, deixando jogar quem quer.
Sábado, Março 18, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:55 PM
Os pássaros que migram E os cometas que viajam E as crianças que gritam E o tempo que flui É perfume da mais pura liberdade E bem interpretada rebeldia.
Os Homens só conhecem a liberdade da Lei e não a da rebeldia A liberdade não chega a tanto Ou nós não chegamos de facto a ela Ou a rebeldia nos retiraria a liberdade Ou a liberdade perderia o sentido com a rebeldia.
Sermos livres é sermos rebeldes por sermos nós mesmos Nem esquerdos, nem direitos, nem cómodos Eternamente anarcas por sermos únicos!
E por isso não somos verdadeiramente livres Só nos deixam ser livres enquanto não formos rebeldes Ser livre não é poder escolher entre estar no meio ou num eixo das "massas" Ser livre é ser inútil às "massas"!
Deixem-me livre, só e feliz! Deixem que o mundo morra sozinho e livre Não sejam livres de matar o mundo...
Devolvão-nos a rebeldia de sonhar com outras coisas Diferentes, contundentes Deixem-nos ser inadaptados por defender a paz ou a privacidade Não nos basta pensar, queremos deixar-vos a pensar. Mas isso seria Revolução!
Revolução é o caos! E o que é a liberdade mais pura? É a revolução, é poder dizer que o mundo é uma balela!
Mas isso é perigoso, inovador E eu sou utópico, nem liguem ao que digo Porque o estou a dizer de forma livre E nós só temos a liberdade de dizer que "isto já é liberdade a mais"!
Então eu agora só posso ser livre se for inconsciente?! Quem defende a liberdade assim é maluco não é? Pois...Vai contra as normas e padrões que os homens inteligentes instituíram.
Neste mundo livre de algum dia ser livre Só o será o louco, inadaptado e desacreditado homem Que foi mais homem que os outros Porque foi livre assim, foi verdadeiramente inovador, criador e feliz.
Amo a liberdade, Como amo tudo o que reflete a realidade mais pura.
Pedro Carvalho
Escrevi este poema ou texto ou grito se preferirem, numa visão muito própria e circunscrita a um periodo específico. Publico-o agora e não na data da sua criação por não ter o hábito de publicar os desabafos e sentimentos que escrevo em noites sombrias mas como me recordei dele achei por bem publicar um texto da outra parte de mim.
Sexta-feira, Março 17, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:28 PM
Talvez seja por andarmos por cá, nós e os nossos Fantasmas que este mundo esteja como está... E brevemente um post bombástico sobre o Irão, bombástico acho que é o termo correcto! Bombástico como o teste do GAVE, de facto era uma verdadeira bomba, matou as aspirações de muita gente, e talvez tenha criado uns tantos novos Fantasmas, o Fantasma dos números... Mas esse, seria um fantasmas bem mais conhecido pelo meu amigo e colega Mesquita... Não é caro colega!?
Quarta-feira, Março 15, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:15 PM
É so para dizer que o fraco volume de post's da minha parte se deve ao facto de ter teste do GAVE na sexta e não ter tempo sequer para me coçar... Os testes de matemática não deveriam ser assim mas enfim, ossos do ofício... Fiquem bem
Domingo, Março 12, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:19 PM
Os fantasmas n gostam de caixões pois não?!?! Tambem com uma bandeira daquelas quem gostaria... Bem é só uma opinião pessoal, no entanto entendo que todas estas convulsões do Médio Oriente ainda vão ser um grande fantasma de todos nós... Quanto à solução para as caricaturas, a imagem diz muito... Fiquem bem!
Sexta-feira, Março 10, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:47 PM
São coisas que me dão para pensar mas que continuam a não dar para perceber…Porque é que o que sabe bem faz mal? Será porque gostamos do sabor da adrenalina? Porque é que quando há dias na rua estava à porta dum prédio passaram por mim 3 ou 4 pessoas bem vestidas e de gravata e o único que me perguntou se eu queria entrar foi o pedreiro de calças pintadas? Porque é que adoro cabelos lisos nas raparigas e só me apaixono por cabelos ondulados? Porque é que às vezes ao pensar tenho medo de… Pensar! Isso mesmo, penso com medo de pensar, penso e consciencializo-me que pensar é que nos faz Homens e por isso não há como fugir aos nossos pensamentos. É como que um sonho em que não se quer acordar. Não queremos, mas sabemos que temos de acordar porque a vida embora feita de sonhos, não são sonhos. E porque escolher sonhos e pensamentos, escolher algo tão melancólico, quando me sinto tão bem comigo mesmo e com os outros? A razão é simples… Sonhos e pensamentos, pensamentos e sonhos, são o “ethos” dos “Fantasmas do Passado”. São pensamentos compostos por nadas do presente em que pensamos, nadas de um vazio, por vezes profundo, um vazio que surge quando os sonhos nos fogem. E são isto os Fantasmas… Pensamentos, sonhos e nadas.
Quinta-feira, Março 09, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:21 PM
Antes de mais peço desculpa pelo atraso e que fique bem claro que eu não sou contra o dia das mulheres, simplesmente partilho de uma visão alternativa...
Segunda-feira, Março 06, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:45 PM
Haverá algum leitor que se lembre do meu primeiro texto onde falava que o blog era como um namoro de juventude? Pois bem, fazemos três meses… O que não é muito, dado que não existe cansaço ou saturação (de temas para escrever entenda-se). Os Fantasmas são de facto, difíceis de debelar mas graças a este blog onde abro parte do meu espírito e chego mesmo a reflectir algo de mim no que escrevo, mostrei a mim mesmo como são estranhos e complexos estes fantasmas! Ora atacam de forma subtil numa qualquer “noite fria”, ora permanecem e arrastam-se até nós, até que a certo momento finalmente lhes “ganhamos terreno”. Por vezes a sua persistência é mesmo marcante e fica distorcida segundo imagens estranhas que talvez só eu ou o meu amigo Mesquita, quando as publicamos, sabemos o que significam. Mas mais grave será ficarem essas imagens bem presentes na memória dia após dia, e não pensem que não tenho fantasmas assim… Infelizmente tenho e são mesmo mágoas que nem sequer são próprias dum texto de comemoração dos três primeiros meses em “aventura”. Porque de facto, escrever sobre eles é por vezes ter de reflectir e intelectualiza-los, é por vezes levá-los à tona, e isso parecendo fácil, não o é de todo. Jogo sentimentos e memórias quando escrevo sobre eles. Num jogo em que se perde e se ganha mas onde invariavelmente me sento tantas vezes a jogar… E talvez por isso, a estes três meses irei somar mais três e mais três, sempre com a tranquilidade de ter os meus fantasmas arrumados ou em sobressalto, mas sempre lá, sempre comigo, e eu sempre aqui, a escrever sobre eles, e sobre mim… Fiquem bem
Sexta-feira, Março 03, 2006, posted by Pedro Carvalho at 10:41 PM
Eis a primeira consequência: Ás vezes calo-me pensando que o que penso não vai interessar minimamente e aí faço um raciocínio simples: "eu e os meus pensamentos, e à semanhança de alberto caeiro, pego neles e sou feliz". Talvez faça todo o sentido ou não faça sentido nenhum no entanto, é de facto isto que acontece, por vezes é o facto de "ficar na minha" convicto de que se não querem ouvir é menos uma opinião e uma verdade que levam, que me leva por vezes a recordar histórias e rir! E assim morrem fantasmas! E eu sigo a rir, recordar, e reunir pensamentos! E cá temos nós a segunda: Falando com uma amiga minha a conversa descambou para kamasutra. Nesse momento sai a frase e passo a citar: "troca de posição com o teu parceiro vezes sem conta, lembra-te que a arte esta em dominar o parceiro e ser dominado pela paixão". Embora não seja uma fantasma mas um prazer, axei por bem assinalar a frase... Em terceiro e ultimo: A coisa mais importante que nós temos é nós próprios e acho que por vezes fazemos coisas que nos desrespeitam por culpa de outros. Não apelo minimamente ao individualismo que por sinal repudio de forma veemente, simplesmente foi uma das minhas reflexões... Por vezes para sermos felizes, primeiro temos de olhar para o nosso caminho, só depois para o do lado, porque às vezes, é o caminho do lado que nos faz despistarmo-nos no nosso. Fiquem bem
Talvez dos cenários melhores para eles aparecerem mas tambem aquele que nos faz pensar mais neles. Os fantasmas podem aparecer em qualquer momento mas existe sempre aquele em que ele aparece, e fica latente... E sente-se lá dentro até ser exorcizado. Nem que seja só até à próxima noite calma e silenciosa... Enfim, o cenário perfeito para pensar neles e eles em nós. Mas é curiosamente este o momento em que eles são vencidos para sempre com mais frequência. Razões? Talvez a noite nos dê a clarividencia necessária. É a magia da noite. Umas têm mais que outras e cada um tem as suas noites para eles aparecerem.
Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:10 PM
Que o Carnaval é uma palhaçada, já todos o calculam mas eis as minhas razões para abominar o Carnaval, talvez a pior época do ano! No Carnaval (Entrudo é português de mais para estar na moda e ser utilizado) toda a gente acha imensa piada aos desfiles, à folia, à cor, aos bailes de máscaras para a classe alta e todas esses acontecimentos que inspiram as mais variadas sensações visuais, não fosse o Carnaval uma festa de cor e luz. Ora tudo isto é uma equação óbvia de mais para eu a apoiar, pelo contrário, sou altamente contra o slogan que se adapta perfeitamente ao ignorante povo português "pão e circo". Nesta época em que tudo é luxo e colorido, tudo tapa a desgraça social (no caso do Brasil) e tudo mostra o terrível contraste entre ricos em bailes patrocinados pelas revistas do jet-set em Veneza e pobres amontoados juntamente com os turistas fanáticos entre as moças despidas sobre a chuva de Alcobaça ou sobre o calor abrasador dos trópicos por entre duas bandeiras apelando ao uso dos preservativos! Mas focando-me agora mais na vida pessoal de cada um e do nosso país o que é tudo isto? É palhaçada todo o ano! Para quê colorir a palhaçada durante três dias?!? E se querem que vos diga muito pessoalmente passo 365 dias rodeado de máscaras falsas e por vezes tão bonitas que quase me enganam. Quase ou enganam mesmo, sei lá eu se não estou a ser enganado por meia duzia delas, das permanentes, não as de Carnaval! Por fim, se o Carnaval é uma data em que sonhamos e concretizamos ser o que não somos todo a ano recomendo mais verdade, mais seriedade, mais convicção, mais luta pelo que achamos justo, mais amizade verdadeira, menos traíção, enfim, talvez fazer do Carnaval uma espécie de Natal. Bem... Também se assim fosse isto deixava de ser uma palhaçada e perdia a piada e as máscaras, talvez seja melhor isto continuar com mulheres desfasadas de qualquer realidade como é o caso de mulheres vestidas "à Verão em pleno Inverno", talvez seja melhor continuar a bater palmas nos desfiles onde os míudos desengonçados vão fazendo quilómetros, talvez devamos continuar a sonhar com bailes de máscaras, talvez será melhor ficar assim. E eu? Bem, eu continuarei a recusar os convites, os fatos alternativos e acima de tudo... As máscaras... Fiquem bem
Domingo, Fevereiro 26, 2006, posted by Pedro Carvalho at 4:19 PM
Hoje à tarde enquanto via um filme no canal Fox passou-se uma cena que não resisti em contar:
Um tipo a fumar o seu cigarro à porta do velório da mãe depara-se de frente com uma amiga de escola, aquelas com que sempre tivemos qualquer coisa há ja muito tempo.
A tipa diz: Como estás? (pergunta estupida, tipicamente americana mas muito em voga por estas bandas) ao que Ele responde: Porreiro, mas já não és a primeira a perguntar...
A gaija vê que não vai ter muita sorte naquela noite e vai embora. Nisto chega o padre do velório, amigo de longa data do bacano a quem morreu a mãe.
O padre sabendo da antiga história entre aqueles dois diz:Queres um conselho? Não te metas com ela, não te esqueças que ela foi casada com o teu defunto primo. E eis a resposta genial:Eu não aceito conselhos de gaijos que não comem nenhuma miuda à 30 anos. E queres um conselho? Elas tão muito mudadas de à 30 anos pa cá...
Para nota final devo acrescentar que de seguida passa uma loira dos seus 20 anos num grande bólide e pisca o olho ao padre. Ora o nosso homem a quem já tinha acabado o cigarro, vendo aquilo tudo vai ao fucinho ao padre dizendo que a igreja católica não iria gostar de saber aquilo...
E voçês perguntam o que é que isto tem haver com fantasmas? Nada, mas que o padre era um cabrão lá isso era!
Sábado, Fevereiro 25, 2006, posted by Pedro Carvalho at 3:57 PM
Vejam só o que eu aqui encontrei perdido na minha mesa! Bem não resisti em publicar, mesmo MUITO ATRASADO. “Eis a nota breve sobre um dos piores dias do ano, quer com namorada, quer sem ela! Cartas flores e bombons para um dia, mais tarde recordar. E é isto o dia de São Valentim, pelo menos quando se tem namorada, o que não é sinónimo de se amar alguém, pelo menos em alguns casos. Digo eu, que de amor percebo tão pouco ou o suficiente nada para concluir que não há coisa mais precipitada que sentirmo-nos conhecedores dos outros e do nosso amor. Mas afinal quem não gosta de amar 364 dias por ano e ser cartas flores e bombons por um dia…? Bem, talvez quem já tenha amado demais prefira ser só cartas flores e bombons todo o ano. O problema é saber quando é que já se amou demais… Quanto aos outros aproveitem bem o dia e divirtam-se porque embora sem “cara metade”, eu vou-me divertir!” P.S. Só para que conste diverti-me mesmo muito, tive um grande jantar!
Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:20 PM
Ora cá temos nós um projecto ambicioso em que pretendemos chegar longe, muito longe… Agora que o grupo já está feito e reunido, em preparação e com tudo já combinado podemos partir para esta ideia que começa a estar amadurecida e com possibilidade de dar frutos. Determinados em fazer, pelo menos um bom trabalho, este passo que dou em conjunto com amigos vai certamente ser um sucesso. Assim o espero!
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 11:16 PM
Lá estavam os dois, sozinhos e abraçados, encostados às grades que os separam do mundo. E lá permanecem, impávidos e serenos, alheios à crise, ao deficit e ao desemprego. Não têm idade para se preocupar com esse tipo de coisas. Apenas têm idade para serem felizes. E são, ou pelo menos, parecem.
No entanto, daqui a uns anos, tudo será diferente. Já não estarão juntos. Ele até pode querer estar ao lado dela, mas a intenção já não é a mesma. Por outro lado, ela já não quer estar ao lado dele. Sabe que a intenção dele já não é a mesma. Podem até cruzar-se na rua, mas já não lhes interessa. Já não se lembram desses tempos, ou então, fazem por não se lembrar.
É que agora já se preocupam com o deficit, com a crise e com o desemprego, e por muito que tentem ser felizes, essa idade já passou. Terão saudades? Talvez, mas não irão admiti-lo. Afinal de contas, estão condenados a ficarem para sempre distantes, aproveitando as horas vagas para se lembrarem daquele momento em que estavam os dois…. Sozinhos e Abraçados.
Nota Final: Este texto foi redigido depois de ter visto dois miúdos encostados ás grades da pré-primária, alheios a tudo o que os rodeava, interessados apenas em se manterem Sozinhos e Abraçados.
Certamente que se recordam da minha “vitória sobre os fantasmas” da qual vos falei num dos textos mais lidos que escrevi, o “Ganhar terreno aos nossos Fantasmas”. Todas estas vitórias e derrotas, avanços e recuos, não são mais que feridas que doem, que doem porque pensamos nela, que doem porque ás vezes até as vemos, que doem porque “faz anos que a ferida foi aberta” ou que doem simplesmente porque doem, porque nos deixam perdidos, porque fica só o vazio a preencher-nos. E que preenche o vazio? Preenche o corpo e esvazia a alma… Dá um sorriso em troca da apatia e estagnação interior, dá olhares que só nos pedem lágrimas, dá aquilo que uma vez escrevi para mim, e que agora, bastante tempo depois, divulgo: “Dá um tudo o que era, sem ser nada do que fui”. Dá-nos nós mesmos, iguais, acordando diferentes… Porque ás vezes me lembro disto, lembro, sinto, penso e não sofro porque são só Fantasmas… No pensar está a perda, nunca o ganho, os Fantasmas alimentam-se de sonhos irrealizáveis e pensamentos viciados. O sofrimento está sempre dentro da chave do tempo, que não te faz recordar, simplesmente não te leva a esquecer Tentas não esquecer para não perder o “tudo o que era” no passado, e para ser mais eu no futuro. Para olhar o dia, olhar e tentar não ver! Olhar e deixar de ser o “nada do que fui”, olhar e voltar a ser eu, em mim, e em tudo o que era. Penso nisto e não neles, para não perder terreno aos Fantasmas, para pegar na força e vencer. Porque hoje é uma data importante, uma data que me faz recordar o dia em que o mundo mudou de dentro para fora e não voltou a ser o mesmo para mim. E assim se faz um desabafo, quando olhamos e vê-mos sem querer… Vê-mos e quase perdemos terreno aos fantasmas… Mas eu tenho pessoas, amigos e até pessoas muito especiais, que me dão força, aí pego a caneta e vejo, aí vejo o que definitivamente quero ver… Os Fantasmas perderam por mais uma noite, começam a somar demasiadas derrotas para resistir por muito mais tempo, e eu posso ser “Tudo o que era…” sendo tudo o que sou. Fiquem bem
Mano, em honra de ti e do teu desencalhamento (em muito má altura dado que amanha vais ter de gastar dinheiro) desejo-te toda a felicidade adjacente ao facto de teres entrado para a "má vida". És o maior! E nos meus anos... Cá te espero! Um grande abraço aí pa Coimbra Mano[[]]
Domingo, Fevereiro 12, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:56 PM
Existem aqueles dias em que se não fosse o nosso projecto, a nossa festa, as nossas eleições, o nosso clube na TV ou a saída com a namorada teríamos o típico dia rotineiro, quanto muito com um teste e 30 trabalhos para entregar na semana a seguir, sob pena de sermos falatório para os professores que acham indecente termos “mais vida para além da escola”. É neste sentido que apareceu de certa forma, este blog. Agora que está lançado, que abordou os temas actuais que constantemente, dia após dia, inundavam a nossa actualidade, senti estar no momento de enveredar por temas mais interiores de cada um, não só porque aqui se fala de fantasmas, mas também porque vamos entrar na “pasmaceira social e política”, pelo menos ate ao Carnaval, esse momento de enorme expectativa para ouvir a baboseira do ano, protagonizada como sempre por Alberto João Jardim, acompanhada da sua amiga “bebedeira”. O facto de estarmos a viver a “pasmaceira” própria do período pós natalício, que este ano foi interrompido por um “cavaco” que infelizmente não ardeu na Lareira da consoada, não é algo que nos retire os temas, muito menos os fantasmas! Apenas poderá servir como forma de consolidar os fantasmas já existentes. É sem duvida nos dias mais calmos, coisa que não tem abundado ultimamente, que pensamos nos nossos fantasmas, portanto, não lutem contra a “pasmaceira”, enfrentem-na e se preferirem, abram um blog como eu e o Mesquita! Fiquem bem
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006, posted by Pedro Carvalho at 12:57 PM
“Eu amo tudo o que foi, Tudo o que já não é, A dor que já me não dói, A antiga e errônea fé, O ontem que dor deixou, O que deixou alegria Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia. “
Fernando Pessoa, 1931.
E é pensando que a dor já me não dói e que hoje é outro dia que podemos vencer os nossos fantasmas, neste caso os amorosos.Fiquem bem!
ao virar de cada esquina por espantarem a inocência
quantas vezes te odiei com medo de te amar...
Vejo o fundo da garrafa
acendo mais outro cigarro
tudo serve de cinzeiro
Quando os deuses brincam é para magoar!
Vamos enganar o tempo
saltar para o primeiro comboio
que arrancar da mais próxima estação!
Para quê fazer projectos
quando sai tudo ao contrário?
Pode ser que, por milagre,
troquemos as voltas aos deuses
Entre o caos e o conflito
a vontade e a desordem
não podemos ver ao longe
e corremos sempre o risco de ir longe demais
Somos meros transeuntes
no passeio dos prodígios
somos só sobreviventes
com carimbos falsos nas credenciais
Vamos enganar o tempo saltar para o primeiro comboio que arrancar da mais próxima estação! Para quê fazer projectos quando sai tudo ao contrário? Pode ser que, por milagre, troquemos as voltas aos deuses
Terça-feira, Fevereiro 07, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:03 PM
Ora até que enfim que a nação tem um fantasma económico!!! Já tinha saudades... Neste momento temos uma bomba que pode não chegar a explodir, e isto porque? Bem... Imaginam comprar algo pelo preço de duas Otas e um TGV: 10,7 mil milhoes de euros... Imaginam uma empresa seis vezes mais pequena a comprar um gigante mundial? Sim porque a PT é o nosso gigante mundial. É esta a relação de forças entre a Sonae e PT. A PT é a maior empresa nacional! Razões para a teoria do fracasso/sucesso desta aglutinação são várias. Em primeiro lugar a sonae é 6 vezes mais pequena que a PT, o emprestimo que a Sonae tera de fazer é gigantesco! Em segundo lugar a Telefonica detêm 10% da PT e detem a "join venture" (metade para a Telefonica, metade para a PT) da VIVO (operadora movel do Brasil). Apesar da Telefonica estar em crise de tesouraria, é possível a Telefonica fazer uma Contra-Opa. Razões para não a fazer? Bem é uma questao de negócio, a Sonae poderá "saciar" a Telefonica oferecendo-lhe o total controlo da VIVO. No entanto, neste capítulo não nos podemos esquecer que a French Telecom é adversária da Telefonica e que está por detrás da Sonae... Terceira questão, as leis da concorrência, poderão impedir a fusão da Optimus com a TMN, nesta situação, a Sonae desiste do negócio de imediato. Quarta questão é a existencia de outras possiveis Contra-Opas provenientes do BES ou de fundos milionários americanos, estas parecem menos prováveis mas possíveis. Quinta questao é as 500 acções "Golden Share", ou seja, com direito de veto, que o Estado tem e que podem inviabilizar o negócio, e isto porque o estado poderá opor-se a uma privatização que poderá colocar a maior empresa portuguesa nas maos de estrangeiros... Todas estas questões foram e estão a ser equacionadas. Enquanto estão e não estao resolvidas, as acçoes da PT ja subiram 19%...
Antes de mais, e dado que o tema é extremamente sensível sinto-me na obrigação de esclarecer duas coisas. Em primeiro lugar, o texto não passa de uma opinião de um simples leigo na matéria já que este fantasma não é meu, nem muito menos é um fantasma do passado. Em segundo lugar terão aqui a opinião de um agnóstico. Escrevo sobre este assunto porque de facto parece-me que virá a ser um fantasma de todos nós num futuro mais ou menos próximo. Entendo apenas que devo expressar a minha indignação sobre a questão das caricaturas dinamarquesas acerca de Maomé, porque de facto, não basta parecer mais inteligente, é preciso mostrá-lo! E neste capítulo os Ocidentais têm pecado a vários níveis. Nós somos mais desenvolvidos, política, económica, estrutural, jurídica e filosoficamente que o “Mundo Islâmico”, mas nunca podemos ver essa nossa superioridade em função da religião de cada um, porque de facto, “Nós”, se fossemos verdadeiramente “Inteligentes” saberíamos distinguir perfeitamente a questão política da questão religiosa! Nesse aspecto, estamos um e um só passo à frente daquele mundo que nos querem mostrar tão distante, a única diferença situa-se na laicização do estado feita no Ocidente, que não foi feita na “terra dos Ayatolas”. Se a Jihad (Guerra Santa) está atrasada em relação às “Nossas Cruzadas” entre nove a dez séculos, não nos podemos esquecer da nossa teimosa persistência em querer espalhar a fé (descobrimentos) da forma mais bonita (Sermão aos peixes) ou menos ortodoxa (autos de fé…). Por isso, e como tudo está enquadrado no seu tempo entendo que seria melhor ser menos “Moderno e Ocidental” e aceitar as diferenças religiosas. Quanto à radicalização, bem isso de facto é um problema, mas um problema que deve ser resolvido com actos diplomáticos, e se necessário, através de sanções económicas, mas nunca se resolveram problemas de fundo, espalhando jornais com imagens que mostram uma total inaptidão para as questões sensíveis do Mundo Árabe! Se Maomé era uma bomba, pois bem, o Ocidente passou-lhes o lume… Fiquem bem.
Foi à um mês e pouco… Foi um dia importante para mim. Fiz umas limpezas no meu quarto e descobri documentos interessantes. Interessantes? Bem, não sei… Por falta de coragem ou por determinação na superação dos fantasmas peguei em tudo e coloquei no lixo. Ás vezes aquilo que escrevemos nem faz sentido passado uns tempos. As razões para tudo isso podem ser diversas, o contexto em que escrevemos pode ser um contexto “viciado” por motivos externos a nós mesmos, podem ter aparecido acontecimentos decisivos para a nossa mudança de opinião ou até mesmo mudanças na perspectiva em que vemos as coisas. A paixão com que partimos para qualquer empreendimento na vida desmorona-se quando subitamente, e até traumaticamente, por vezes, algo nos faz mudar, algo nos faz repensar, algo nos faz afastar e ver de novo…É o “baralhar e dar de novo” com que algumas vezes nos confrontamos na vida. E será fácil encarar estas mudanças? Depende… Se antes a nossa vida era um “Poker de Ases” recusamo-nos a voltar a baralhar. Mas existe aquele dia, aquele dia em que vais ao computador e apagas fotos, vais à secretaria e rasgas papeis, o telemóvel conhece o “repor valores de origem”. Nesse dia olhaste para a frente, não para trás, e és novamente o dono do teu jogo que é a vida. O dia em que te recusaste a olhar para o “jogo” que antes tinhas, o dia em que por fazeres tudo isto te sentiste livre, te sentiste forte para o próximo jogo, o dia em que se ganha tudo aos fantasmas… Porque afinal de contas, a vida por vezes é um jogo em que tens de saber jogar, ter “Poker de Ases” num jogo viciado não te leva à vitoria, leva-te ao engano, leva-te ao conformismo estúpido! Ser um bom jogador é ter a coragem de ter jogado muitas vezes, ter a coragem de encarar o “jogo antigo” como um “jogo viciado” e pegar num novo jogo, baralhado, limpo e… Ganhar, ou se preferirem, ser feliz… Fiquem bem!
Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:50 PM
Faço o meu apelo para k todos nos desloquemos ao Blog do escapa http://raciocinios.blogspot.com/ para ver e comentar o post: "Verde por dentro, verde por fora". Este post extremamente original foi totalmente esquecido por todos, coisa que me meteu impressao, e apesar d parecer ridiculo, eu curti bue o post!
Terça-feira, Janeiro 31, 2006, posted by Pedro Carvalho at 7:45 PM
A minha indignação é enorme perante esta notícia, algo absolutamente inacreditável!! "Empresa neo-zelandesa doa comida de cão para crianças do Quénia". E temos mais... "A dona da Mighty Mix adiantou ainda que fez a doação através de uma organização de caridade queniana não como comida para cães para alimentar crianças, mas como «suplemento nutricional». A quantidade oferecida, afirma, poderia alimentar 160 crianças durante dois meses. " MAS O QUE É ISTO??? Estas crianças negras são pessoas?!? Abram os olhos políticos deste mundo! Jovens abram os olhos e percebam que o sistema de trocas mundial asfixia 2/3 do mundo. Mundo abram os olhos, abram os olhos e vejam que os ditadores matavam em campos de concentração, os capitalistas matam em acordos comerciais mundiais! Rejeito a OPEP por enriquecer meia duzia. Rejeito o Pentagno por ser o responsavel das maoires matanças de humanos desde a decada de 50. Rejeitos aqueles que se calam e que são cumplices! Vamos todos abrir os olhos, os votos estao nas nossas mãos, o poder está nas nossas maos, a ordem publica em casos mais excepcionais, também esta nas nossas mãos. Uma vez a minha professora de matemática chamou-me revolucionário, talvez por ser intempestivo nestas situaçoes, mas não o sou, falta-me a coragem e a força interventiva, mas peguem na minha pequena intervenção, e pelo menos, mudem a vossa maneira de pensar. Vai valer a pena! Vale sempre a pena lutar contra os fantasmas do mundo!! Fiquem bem!
Domingo, Janeiro 29, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:49 PM
BAZA...!! Apesar disto não ser um texto, mas sim uma nota visto que não se trata dum fantasma, eu tinha de dizer: nevou em Pombal!! E porque dizer isto, porque nesta terra, só neva de 30 em 30 anos, não fosse isto o Cavaquistão, tal como o líder: Seco...
Quinta-feira, Janeiro 26, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:54 PM
Hoje quando soube que o Hamas tinha ganho as eleiçoes na Palestina, um partido que defende o fim de Israel, pensei de imediato que ia haver problemas. De facto Bush já disse que não negoceia com terroristas, portanto, agentes da CIA se me estao a ouvir, o vosso presidente não quer falar com voces nem quando quiserem aumentos de ordenado, com terroristas nem pensar! Para alem disto sei tambem que o Kofi Anan ficou quase branco, se é que isso é possivel, quando soube da notícia e que Durao Barroso ainda não se pronunciou, eu compreendo, ele deve tar na biblioteca a saber onde fica Israel e a perguntar se o Hamas é o novo avançado do Sporting. E tudo isto para quê? Para dizer que estou preocupado, que Arafat afinal não foi tao marcante assim já que o seu partido perdeu agora as eleiçoes, que Israel tem novos problemas, que o mundo está apreensivo, que uma guerra agora não seria nada benéfica para todos e já agora, comprem barris de petroleo e guardem em casa porque a escaladao do petróleo estará para breve... Enfim... Israel sempre foi uma questão confusa, agora poderá ficar bem pior!
Quarta-feira, Janeiro 25, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:27 PM
“A MALTA NÃO SE ESQUECE E VAI VOTAR NA S” lembram-se?? Grandes tempos de sonho, tempos dos quais eu, o meu colega Mesquita e toda aquela equipa da S nos orgulhamos! Toda? Não será só parte dessa equipa? E como foi possível termos perdido? Pois cá vai… Lembro-me perfeitamente do convite que me foi endereçado pelo “homem dos contactos”, para fazer parte do núcleo duro de uma lista. Esse amigo que durante todos aqueles dias FOI ENORME na tentativa e perseguição dos objectivos sempre traçados por NOS. Quando ouvi os primeiros sinais de que iria ser feita uma Lista S, foram me indiferentes, na verdade a Lista Ç tinha feito um trabalho razoável e eu não estava minimamente motivado para entrar numa lista. Depois, à data do convite foi-me entregue um projecto interessante, onde acima de tudo, a acção era comandada por pessoas onde tinha grande confiança. Fui responsável, pensei, decidi, aceitei. Nós já tínhamos Presidente para o Conselho Fiscal. E agora? Reuniões, organização, tentativa de captação de fundos, gestão de activos materiais e financeiros, tudo foi pensado! Tínhamos jantar…Dinheiro era pouco, fui porteiro… Cobrei entradas, discursei, empenhei-me e dia após dia, as coisas estavam a acontecer. Tivemos ideias, fizemos t-shirts, fizemos promoção de campanha e chagava o dia da montagem do cenário. Correu mal, fiz kilómetros nesse dia, choveu-me em cima, carreguei tijolos. Fui só eu? Não, outros ajudaram-me, outros pintaram, outros compraram material. Lembro-me ainda hoje do amontoado de facturas dentro da “caixa do dinheiro”, era uma cassete de vídeo!! Hoje é irónico, imaginar a cassete, imaginar o Jota como porteiro na festa da ADAC, imaginar-nos a saltar em cima das mesas… Tenho saudades, tudo aquilo foi muito gratificante para nós. Mas sabem porque é irónico, porque nem todos viveram a lista, sim, nem todos viveram a lista, nem todos entraram com determinação no projecto, nem todos queriam que ganhássemos e, muito possivelmente, nem todos votaram em nós próprios! É certo que tudo isto acontece em todas as organizações com pessoas da nossa idade, parece-me crónico e cíclico mas tenho pena que seja assim. Analisei todas as listas no momento das candidaturas, e a nossa era a melhor, à R não reconhecia perfil para liderar um A.E. À Ç imaginava-se uma continuação da antiga Ç, mas a estrutura aparecia como algo muito diferente, quanto às pessoas, bem, há muitas às quais não reconheço capacidades para gerir a A.E. Mas afinal quem sou eu para estar a dizer isto, um simples votante (de um só voto por eleição). Por votar por uma só vez ou por termos menos 40 pessoas na lista do que a Ç. Por existirem pessoas na Ç que nunca se mostraram importadas com a A.E, mas serviam, porque faziam numero, ou porque de facto os estudantes queriam a Lista Ç na A.E, hoje não importa. Importa que gostei de ser um “S”, importa que tenho orgulho em ter sido um “S” activo, importa que ganhei novos amigos e um grande amigo, o Mesquita, pessoa simples, mas mais séria e mais capaz que muitas “capas de revista mimadas”, importa ter conhecido e ter-me desiludido com as pessoas, porque aprendi muito, tudo isto importa.Importa ter sido um”S”, importa ter sonhado, porque afinal de contas, “O sonho comanda a vida”, e já agora acrescento, a consciência de cada um comanda as nossas acções, a ignorância comanda as eleições e…A inoperância comanda a A.E… Fiquem bem.
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:29 PM
Após as eleições, e quando já temos os resultados podemos fazer uma análise geral que no meu caso transmite uma simples opinião pessoal. Nas próximas linhas, eis a minha opinião, breve, porque contra factos não existem argumentos, e porque o povo é quem mais ordena (e esperamos que ordene sempre bem) sobre o resultado eleitoral da noite de ontem.Tendo em conta tudo o que tinha já dito num texto anterior, que muitas vezes cito, quando faço referência a estas eleições visto ser o meu texto base de toda a minha actuação cívica, já que por escolha pessoal não aderi ao movimento MP3, algo que nunca me impediu de aderir de forma bastante participativa nesta campanha política, nesse meu texto previa algo que acabou mesmo por acontecer, a vitória de Cavaco à primeira volta. Mas se analisarem com atenção essas linhas e principalmente o resultado de ontem, podem observar a nítida sensação, errada, que tinha no momento em que escrevi que Cavaco não iria precisar de suar muito. Pura ilusão. O resultado das eleições de ontem, dá a nítida sensação que bastaria uma semana para Cavaco cair, a máquina iria cair, e não estava assim tão avassaladora como eu a tinha descrito no passado texto.Ironia das ironias, e eis o tal “erro de cálculo”, a maquina quase “emperrou” muito por culpa da acção de Alegre que de certa forma, e bem, percebeu claramente o tom da critica a utilizar, sendo menos agressivo que Soares foi muito eficaz. Depois de estar de rastos após os debates, e apenas por culpa própria o que na minha opinião mostrou clara falta de preparação para o cargo que se propunha a exercer, acaba por nas urnas ter 20% dos votantes nacionais e acaba por me obrigar a “virar o texto”, Alegre mostrou ter “cota” para juntamente com o PS poder fazer algo mais, algo que Soares não conseguiu porque Portugal levou de forma exacerbada a questão do “tudo tem o seu tempo”. No entanto isto são apenas conjecturas, já que não podemos ver a votação de Alegre como um grupo de socialistas, grande parte serão certamente, mas outra parte serão votos perdidos em “fogo cruzado” que podem muito bem não pender para Alegre, caso este tivesse concorrido com o apoio do PS.Em qualquer dos casos, o PS apresentou o seu candidato, o candidato que achou mais adequado, perdeu, admitiu, fez mais que o PSD de outros tempos que nem candidato apresentou. E como dizia o meu candidato: “Só é derrotado quem desiste de lutar”.Quanto a pedir congresso extraordinário, ou desejar secretamente que Alegre pegue naquela “cota” e crie um partido, subscrevo o que o Presidente da Câmara de Braga disse: “Manuel, tem juízo!”. Fiquem bem
Domingo, Janeiro 22, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:32 PM
A unica coisa que me ocorre dizer, e depois de ontem ter ficado em silencio, visto ser dia de reflexão é que a direita conseguiu um feito estraordinário, eleger um presidente num país marcadamente de esquerda, que sempre tem sido. Hoje é uma noite de profunda reflexão para mim, algo neste país está a mudar. Eu não vou mudar, e por isso aceito o resultado democráticamente alcançado. A crise institucional está lançada, hoje, mais nada tenho a dizer...
Sexta-feira, Janeiro 20, 2006, posted by Pedro Carvalho at 8:07 PM
Estava hoje no meio da rua a relembrar a letra da música “Susana” do Mc Xeg e qual não é o meu espanto quando embato no verso: “ela é boa, educada / inteligente e bonita”. Estanquei, raciocinei, e não vi ninguém durante uns bons 2, 3 minutos que coubesse nestas características. Mesmo ás raparigas que mais admirava parecia faltar sempre uma destas características! Mas após reviver estes meus últimos anos descobri duas pessoas que cabem neste belíssimo quadro, e qual não é o meu espanto quando descubro que apenas sou “um conhecido” para essas duas meninas. Bem no momento pensei varias coisas! Em primeiro, reparei que essas duas pessoas me têm passado bastante ao lado, o que é muito estranho dadas as qualidades, e não, não só as qualidades físicas, eu até valorizo mais as qualidades psicológicas! Em segundo fiquei com uma sensação estática de não fazer nada para mudar as coisas. Ora é aí que entra a temática dos fantasmas. Foi precisamente pelos fantasmas que fiquei com essa atitude… Estática… Não sei se já vos aconteceu, mas agora assim de repente passei a dar muito mais valor a estas duas pessoas, e… Ainda bem! São pessoas extremamente interessantes, e se vocês algum dia pensarem estar rodeados de desgostos, problemas e pessoas desinteressantes, façam primeiro este raciocínio, à coisas que nos passam ao lado, mas que podem ter muito valor! Podem nem sequer ser pessoas, podem ser sonhos, projectos, ideais perseguidos de forma radical ou algo que te dê um rumo, mas à sempre algo! Esqueçam os fantasmas, valorizem as coisas boas da vida e… Fiquem bem!
P.S: Para evitar confusões queria salientar que a musica que evoquei não tem qualquer relação com as pessoas, baseei-me apenas naquele verso e em mais nenhuma parte da música como é óbvio!
Quinta-feira, Janeiro 19, 2006, posted by Pedro Carvalho at 4:18 PM
Quando li esta frase resolvi que tinha de te responder: “a cair no ridículo quando vão ao mais ínfimo pormenor buscar arma de ataque...”. Eu entendo que sendo tu apoiante do Cavaco estejas dentro da linha dele, fascista arrogante, contra o debate de ideias, fechado à critica até porque isso é coisa das democracias que só atrasa os interesses económicos, que é o único tema do qual Cavaco Silva se apressa a falar. Apraz dizer que toda essa publicidade e luta pelo ideal “da não crítica” que tu fizeste no teu comentário, não é algo que seja benéfico para um blog onde estamos abertos ao debate de ideias e não ao fechar dos mesmos. Fala-me em Cavaco, fala-me nas ideias e nas competências de Cavaco para me convenceres de que Cavaco é uma boa opção! Se vens dizer que o Cavaco é um sofredor porque esta constantemente a ser atacado não estas a dar qualquer ideia de quem é o teu candidato e de como ele poderá ser um bom presidente da republica.Apreciei especialmente o teu nome, ao contrário do meu, Pedro Carvalho, Antenas na net, o teu é bastante original, cada vez menos pois cada vez mais pessoas se apresentam com o teu nome, talvez porque todos vêm do mesmo pai ideológico e talvez tenham também a mesma sede da JSD, mas como não te identificas, eu não sei sinceramente quem és, de onde vens, se és tu k estas a falar, se falas pela boca de outros, enfim… N sei nada! Mas também não interessa porque Cavaco é um candidato supra partidário, está acima dos partidos não é? POR FAVOR NÃO ATENTEM CONTRA A MINHA INTELIGENCIA! “Serei eu inteligente se der o meu voto para eleger um candidato que me acha burro sem capacidade para entender o que vejo?”, eu faço a pergunta de outra maneira: Serás inteligente se não percebes que Soares, Alegre, Louça, Jerónimo e Garcia tem opinião como tu e que isso ainda não é proibido!” Já que foi falado em história...”, como tu referiste e muito bem se quiseres falar de historia vais ao texto “crónica de um fantasma real” e tens lá história.” as eleições são para eleger um presidente da republica, e não para eleger o gajo que gosta menos do cavaco, e o gajo que mais quer derrotar o cavaco...”, ora qualquer dos candidatos concorre porque se vê melhor posicionado do que os outros, é obvio que não concordam uns com os outros, é natural que concorram para ganhar, é natural que tentem vencer Cavaco!!Percebes agora? Repensa as tuas ideias e sempre que quiseres comentar não o faças propagandeando o silencio, mas sim o debate, cá estarei para debater contigo!Fica bem
Quarta-feira, Janeiro 18, 2006, posted by Ricardo Mesquita at 4:19 PM
Para começar, devo esclarecer que as próximas eleições destinam-se a escolher um Presidente da República, e não um primeiro-ministro. Acho que devo salientar este aspecto pois tenho verificado que anda por aí muita gente enganada, principalmente um determinado candidato, que continua convencido que se candidata a primeiro-ministro.
Concluída esta nota introdutória, passo-me a centrar no tema deste texto.
Como sabem (ou pelo menos deveriam saber) no nosso sistema constitucional, o Presidente da República deve ser um moderador, um regulador político e uma referência permanente para os Cidadãos, a Nação, e o Estado. Por outras palavras, as funções do Presidente da República são eminentemente politicas e, por isso mesmo, as qualidades que dele se exigem são, sobretudo, politicas.
Assim sendo, e especialmente numa época de crise como a que o nosso país atravessa, um Presidente da República deve ter experiência de poder e capacidade para unir e concertar, para projectar valores, para mobilizar e para gerar confiança.
Por todas estas razões, um candidato a presidente da república tem o dever de demonstrar possuir uma noção rigorosa das funções de um Presidente da Republica e uma história politica que comprove as suas capacidades.
Em suma, para escolher um Presidente da Republica, a biografia política de um candidato também conta. E não há biografia sem história.
Basta agora verem qual dos candidatos esteve presente nos momentos mais importantes do nosso país. Não vou dizer qual é. É vosso dever saber isso…
Terça-feira, Janeiro 17, 2006, posted by Pedro Carvalho at 9:00 PM
“Com tudo o que sinto, ás vezes nem o consigo dizer! Lembro bem aqueles que teimam em não o fazer. Não falar não sentir não ouvir!” E por aí adiante iria continuar se a inspiração não tivesse acabado com a mesma fluidez e rapidez com que me apareceu! Enfim… Mais um fantasma!Fiquem bem!
Segunda-feira, Janeiro 16, 2006, posted by Pedro Carvalho at 6:59 PM
Com o objectivo de divulgar e sobretudo melhorar a temática deste blog, eu, Pedro Carvalho, ou Antenas se preferirem, cedo o meu mail para me poderem mandar sugestões com o intuito de abordar fantasmas meus mas também vossos. Sendo certo que não nos iremos afastar do tema proposto, estamos sempre abertos as vossas sugestões!
Domingo, Janeiro 15, 2006, posted by Pedro Carvalho at 1:32 PM
Dado o tema deste blog, os nossos fantasmas, resolvi hoje escrever sobre algo que é um fantasma colectivo. Os jovens e o futuro. Na verdade estava sem ideias, falei com amigos da minha idade e cá esta o “fantasma colectivo”! É bom que me exprima não só em relação aos meus fantasmas mas também aos fantasmas daqueles que aqui vem ler alguns textos. Na minha opinião vivemos uma época onde se explora “ate ao tutano” tudo o que o país tem de menos bom, isso contribui para uma visão, errada e extremamente pessimista do futuro. Factos aos quais os jovens são extremamente sensíveis como o emprego, as perspectivas de futuro, as condições de vida daqui a vinte anos, o ambiente, a pobreza no mundo e outros contribuem para um sentimento de angustia e descrédito generalizado no país, que afinal, nem é assim tão mau em compararão com tantos outros. Se sou um optimista? Não. Se acredito em Portugal? Penso sinceramente que vivemos numa conjuntura desfavorável e numa crise de confiança difícil de ultrapassar que nos arrasta para um certo sebastianismo (como no caso das eleições onde alguns acreditam existir salvadores da pátria). Mas Portugal não são só coisas más… Ao nível das organizações de eventos estamos no TOP TEN, nas infra-estruturas somos bastante desiguais, não só no facto de existirem hospitais a cair e estádios a brilhar como também nas diferenças litoral interior, no entanto, há neste aspecto uma ressalva a fazer, vamos ter TGV e Ota, o que me parece uma abertura ao futuro. Temos um ensino de qualidade, no que diz respeito ao ensino superior, sim é certo que existem aí universidades de valor duvidoso, mas também existem escolas de valor reconhecido que preparam jovens para carreiras promissoras, nacionais ou internacionais. Se o teu futuro não passa pelos estudos, bem aí as coisas tornam-se mais complicadas para ti porque com o 12º ano iras ser operário numa empresa pronta a viajar para leste ou iras ser o empregado modelo e o orgulho de qualquer supermercado durante longos anos… Para começar até não está mal mas queres viver continuadamente numa carreira com pouca progressão? Pois é reflexos do capitalismo de hoje em dia que dificultam o nosso futuro… Tens mais duas soluções de futuro, sim apenas duas, ser artista ou empresário porque isto de viver à custa do subsídio de desemprego vai acabar antes de te fazeres um preguiçoso… Para o caso de seres empresário será impossível vaticinar um futuro ate porque depende do grau de investimento, da capacidade de inovar, dos ciclos económicos, enfim de especificidades económicas várias que são difíceis de avaliar. De uma coisa podes ter a certeza, o empresário “agarrado” aos subsídios nunca será competitivo num mundo cada vez mais globalizado, tens de ser criativo, trabalhador pelo teu próprio sonho e negócio. Se tens habilidade e sensibilidade artística poderá acontecer-te o mesmo que acontece no sector da investigação, ou seja, falta de apoios algo que só será ultrapassado com umas idas ao estrangeiro ou com algum norte-americano excêntrico que te queira promover, uma espécie de mecenato, pouco em voga no século XXI. No caso da música, a pirataria vai dar cabo de ti, coisa que acontece em qualquer parte do mundo, e neste país de povo “tipicamente português” coloca nos concerto meia dúzia de raparigas atractivas e cobra dez mil euros nos concertos de Agosto. Por fim podes ser funcionário público, é uma boa opção, pelo menos se não te queres preocupar com a instabilidade e os despedimentos, mas acreditas mesmo que o Estado vai durar muito? Até lá confia em Portugal, confia em ti e fica bem!